Manifestantes em Tirana exigem cancelamento de complexo turístico de luxo vinculado a Ivanka Trump
Manifestantes em Tirana pedem o cancelamento de um complexo turístico de luxo de Ivanka Trump e Jared Kushner na ilha de Sazan e áreas adjacentes. O projeto, com investimento estimado em 1,4 bilhão de euros, enfrenta resistência de organizações ambientais e gera conflitos por acesso ao litoral. O governo albanês defende a obra, enquanto a agência estatal anticorrupção investiga o caso
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Milhares de manifestantes ocupam as ruas de Tirana, capital da Albânia, para exigir o cancelamento de um complexo turístico de luxo vinculado a Ivanka Trump e Jared Kushner. A mobilização, que utiliza slogans anticorrupção e imagens de flamingos, pede que o casal americano desista do empreendimento. O projeto prevê a construção de hotéis e vilas de luxo na ilha de Sazan e em áreas adjacentes, com um investimento estimado em 1,4 bilhão de euros, embora o plano geral seja avaliado em 4 bilhões de euros.
A ilha de Sazan, com 5,7 quilômetros quadrados e localizada no mar Adriático, próximo à cidade de Vlora, possui um histórico militar estratégico. Utilizada como base durante a Segunda Guerra Mundial e posteriormente integrada à rede de defesa soviética nos anos 1950, a região permanece fortificada, com a presença de bunkers, túneis e munições não detonadas no fundo do mar e na costa. Ivanka Trump relatou em entrevista a um podcast nos Estados Unidos que a descoberta da ilha ocorreu por acaso, durante um passeio de barco com um amigo.
A resistência ao projeto ganhou força em janeiro, quando 40 organizações ambientais solicitaram a suspensão das obras para evitar danos irreversíveis à biodiversidade, já que a área abriga focas, tartarugas marinhas e flamingos. Os protestos intensificaram-se no fim de maio, após a instalação de arame farpado na praia de Zvernec, bloqueando o acesso ao litoral em frente à ilha de Sazan. Confrontos entre manifestantes e seguranças resultaram em feridos por spray de pimenta, o que levou o governo a suspender policiais e revogar as licenças de duas empresas de segurança privada.
Apesar da pressão popular, o primeiro-ministro Edi Rama defende o empreendimento, argumentando que a obra gerará infraestrutura e empregos. Rama descartou a interrupção do projeto durante sua gestão, embora tenha convidado uma delegação de 20 manifestantes para dialogar — proposta que foi rejeitada pelos organizadores, que agora exigem a renúncia do premiê. Paralelamente, a agência estatal anticorrupção da Albânia confirmou a abertura de uma investigação sobre o caso.
No final de 2024, o governo concedeu o status de "investidor estratégico" à Atlantic Incubation Partners, empresa ligada a Kushner, o que agiliza procedimentos administrativos e garante apoio ministerial. Asher Abehsera, sócio de Kushner, afirmou que o foco do projeto é a gestão responsável e a valorização das comunidades locais. A Trump Organization não respondeu aos questionamentos sobre o tema.
A disputa também envolve a legalidade das terras. Enquanto o governo afirma que as áreas em Zvernec são privadas, existem processos judiciais questionando a privatização desses terrenos. Esse cenário reflete a transição instável da Albânia nos anos 1990, quando a propriedade estatal do regime comunista foi convertida em privada, gerando conflitos jurídicos e violência.
Este é mais um projeto de desenvolvimento de luxo buscado por Kushner nos Bálcãs. Anteriormente, uma proposta semelhante na Sérvia gerou controvérsias sobre o patrimônio local e resultou na prisão de um ministro por abuso de cargo, levando o investidor a desistir do negócio no início deste ano.