Marco Rubio propõe relação direta entre Estados Unidos e população de Cuba para excluir regime
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, propôs estabelecer relações diretas com a população de Cuba, excluindo o governo local. A estratégia prevê o repasse de US$ 100 milhões para alimentos e remédios via Igreja Católica
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, propôs a criação de uma "nova Cuba" por meio de um vídeo gravado em espanhol e divulgado nesta quarta-feira (20) pelo Departamento de Estado. A iniciativa prevê o estabelecimento de uma relação direta entre o governo norte-americano e a população da ilha, excluindo a intermediação do regime vigente.
Rubio, que nasceu na Flórida e é filho de imigrantes cubanos, atribuiu a crise econômica, a pobreza e as constantes interrupções de energia no país ao governo cubano. O secretário afirmou que a nação não é regida por uma revolução, mas controlada pela Gaesa, conglomerado de empresas estatais que representa cerca de 40% do Produto Interno Bruto (PIB) de Cuba. Para Rubio, a Gaesa opera como um Estado paralelo que monopoliza lucros em favor de uma elite restrita, sem prestar contas.
A estratégia de Donald Trump, conforme detalhado por Rubio, visa redirecionar a cooperação para o povo cubano, afastando-se da estrutura da Gaesa. O secretário acusou a estatal de lucrar com contratos milionários de licitações, taxas bancárias e remessas enviadas por cubanos residentes no exterior. Ele apontou ainda que, diante da escassez energética, a empresa utiliza os recursos disponíveis para priorizar o abastecimento do aparato governamental.
Como medida imediata, os Estados Unidos destinarão US$ 100 milhões para a distribuição de medicamentos e alimentos. Para garantir que o regime não interfira na entrega, a verba será repassada via Igreja Católica cubana.
A movimentação ocorre em um cenário de intensificação da pressão de Washington sobre a ilha e especulações sobre possíveis interferências. Paralelamente, espera-se que a Justiça dos EUA formalize a acusação contra o ex-presidente Raúl Castro por ter autorizado a derrubada de aviões com cidadãos norte-americanos há três décadas. Até o momento, o governo de Cuba não se manifestou sobre as declarações de Rubio.