Marco Rubio visita países do Golfo para apresentar acordo de paz entre EUA e Irã
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, visita os Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Bahrein nesta terça-feira (23). O objetivo é apresentar aos líderes do Conselho de Cooperação do Golfo o acordo de paz entre Washington e o Irã. O pacto prevê um fundo de reconstrução de 300 bilhões de dólares para Teerã e não limita mísseis balísticos iranianos
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O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, inicia nesta terça-feira (23) uma agenda diplomática nos Emirados Árabes Unidos, com passagens subsequentes pelo Kuwait e Bahrein, para apresentar aos líderes do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) o acordo de paz firmado entre Washington e o Irã. A missão ocorre em um cenário de tensão, pois as monarquias do bloco — que incluem também Arábia Saudita, Catar e Omã — temem que as concessões feitas pelos Estados Unidos alterem o equilíbrio de segurança regional e comprometam o fluxo de petróleo.
O memorando de entendimento, assinado na semana passada pelo presidente Donald Trump, gera apreensão nos aliados do Golfo por omitir a limitação de mísseis balísticos iranianos. A questão é crítica para as nações do CCG, que estão no alcance dessas armas e foram alvos de ataques aéreos iranianos durante o conflito iniciado há quatro meses entre EUA, Israel e Irã. Embora o governo Trump tivesse definido a destruição dessa capacidade militar como prioridade, o presidente declarou recentemente que impedir o Irã de possuir tais armamentos seria "injusto".
Outro ponto central de discórdia é a criação de um fundo de reconstrução de 300 bilhões de dólares destinado a Teerã. As lideranças regionais temem que esse montante financeiro seja revertido para o fortalecimento militar do Irã e para o apoio a grupos procuradores capazes de desestabilizar governos vizinhos. No Bahrein, especificamente, há o receio de que o aporte financeiro iraniano incentive revoltas entre a população xiita do país, que já enfrentou protestos massivos durante a Primavera Árabe.
A arquitetura de segurança americana no Oriente Médio depende diretamente da estabilidade dessas relações, já que cinco dos países do CCG abrigam bases militares dos EUA. Qualquer mudança na disposição desses aliados em manter a cooperação estratégica impactaria a presença militar americana na região. Além disso, o acordo sugere que o Irã assuma um papel determinante no controle do Estreito de Ormuz, rota vital para as exportações de petróleo e gás da Arábia Saudita, Kuwait e Catar.
A diplomacia de Rubio enfrenta o desafio de tranquilizar esses parceiros sem desautorizar a decisão de Donald Trump, que mantém apoio firme ao texto, apesar de críticas de setores republicanos no Congresso. Para mitigar a desconfiança, a estratégia pode envolver a lembrança do histórico de rigor de Trump contra a República Islâmica.
Enquanto as nações do CCG haviam defendido publicamente soluções diplomáticas antes e durante a guerra, a natureza do acordo interino surpreendeu as autoridades locais. A cautela aumenta diante de declarações do vice-presidente JD Vance sobre a disposição dos EUA em transformar fundamentalmente a relação com Teerã, movimento que, na visão de observadores regionais, reabilita o regime iraniano como potência regional.