Marinha da Indonésia investiga drone subaquático chinês encontrado em rota marítima estratégica
A Marinha da Indonésia investiga um drone subaquático da China Shipbuilding Industry Corporation, encontrado por um pescador em 6 de abril de 2026, em Lombok do Norte. O dispositivo de 3,7 metros foi levado à base naval de Mataram, onde a polícia descartou a presença de explosivos ou radioatividade. Perícias técnicas agora buscam extrair dados da memória do equipamento para definir sua finalidade operacional
A Marinha da Indonésia instaurou uma investigação após a localização de um drone subaquático em formato de torpedo nas águas de Gili Trawangan, em Lombok do Norte. O dispositivo, que apresenta a marca da China Shipbuilding Industry Corporation (CSIC), foi encontrado flutuando por um pescador local no dia 6 de abril de 2026, nas proximidades do Estreito de North Gili Trawangan.
O equipamento possui design hidrodinâmico cilíndrico, com 3,7 metros de comprimento e 70 centímetros de diâmetro, incluindo barbatanas de controle traseiras, antenas, lentes ópticas e sensores integrados. As características técnicas assemelham-se aos planadores subaquáticos de longa duração, como o modelo chinês “Sea Wing”, que se deslocam por meio de mudanças de flutuabilidade. Essa tecnologia dispensa a propulsão contínua, viabilizando missões persistentes de mapeamento e coleta de dados acústicos.
A recuperação do drone acendeu alertas sobre atividades de inteligência estrangeira em corredores marítimos cruciais, especificamente na rota ALKI II. O aparelho é capaz de mensurar variáveis oceanográficas, como topografia submarina, gradientes de temperatura e níveis de salinidade. Tais informações são determinantes para operações militares, pois influenciam a eficácia de sonares e a capacidade de ocultação de submarinos, sugerindo uma tentativa de caracterizar o ambiente subaquático em uma zona de alta competição estratégica.
Após a coleta, o objeto foi transferido para a base naval de Mataram. Uma inspeção preliminar conduzida pelo Esquadrão de Bombas da Polícia de Nusa Tenggara Ocidental descartou a existência de substâncias radioativas ou materiais explosivos. Atualmente, a polícia militar naval realiza exames para extrair os dados armazenados na memória do sistema e definir a finalidade operacional e a origem exata do dispositivo, sob um perímetro de segurança rigoroso.
O Contra-Almirante Tunggul confirmou que as análises priorizam a hipótese de vigilância encoberta. A natureza de "uso dual" do equipamento permite que ele seja apresentado como ferramenta de pesquisa científica, embora possua potencial para inteligência naval.
O episódio soma-se a outras descobertas de veículos subaquáticos não tripulados (UUVs) vinculados à China em território indonésio. A posição do drone, em uma rota estratégica entre o Oceano Índico e o Mar da China Meridional, levanta questionamentos sobre a segurança regional e a soberania marítima, podendo indicar o mapeamento de rotas seguras para submarinos de longo alcance. A Marinha da Indonésia agora busca determinar se o aparelho operava de forma autônoma ou se integrava uma rede maior de sensores, aguardando a perícia técnica para definir a resposta diplomática e militar.