Marinha dos Estados Unidos planeja operar milhares de embarcações não tripuladas no Indo-Pacífico até 2030
A Marinha dos Estados Unidos planeja operar milhares de embarcações de superfície não tripuladas no Indo-Pacífico até 2030. A estratégia prevê a implementação de mais de 30 veículos médios e milhares de unidades menores para expandir a presença militar na região

A Marinha dos Estados Unidos planeja operar milhares de embarcações de superfície não tripuladas (USVs) na região do Indo-Pacífico até 2030. A estratégia, detalhada pelo capitão Garrett Miller, comandante do Surface Development Group One, durante o simpósio Sea-Air-Space, visa expandir a presença militar em áreas extensas sem a dependência exclusiva de grandes navios tripulados. O planejamento, baseado em estudos de força de superfície com projeções para 2045, prevê a implementação de mais de 30 veículos médios não tripulados (MUSV), além de milhares de unidades menores e aeronaves sem piloto integradas a navios autônomos ou convencionais.
Essa movimentação ocorre em resposta ao crescimento da Marinha chinesa, que expandiu suas operações do litoral para águas abertas, ampliando seu alcance marítimo. Para contrapor essa tendência, os Estados Unidos adotam conceitos como o "hellscape" — uso massivo de sistemas autônomos para dificultar ações militares chinesas em crises regionais — e o programa Replicator, lançado pelo Departamento de Defesa em 2023 para acelerar a escala de drones submarinos, aéreos e de superfície.
Atualmente, a força naval utiliza os modelos Sea Hunter e Seahawk como protótipos de veículos médios. Ambas as embarcações possuem cerca de 41 metros de comprimento e deslocamento de 142,3 toneladas métricas. Desenvolvidos com apoio da Darpa e do Escritório de Pesquisa Naval, esses navios funcionam como plataformas distribuídas de sensores para ampliar a consciência situacional e apoiar a guerra antissubmarino, servindo de base para testar a integração entre unidades autônomas e tripuladas.
A operação no Indo-Pacífico apresenta desafios técnicos superiores aos de drones terrestres ou aéreos, exigindo resistência à corrosão, estabilidade contra ventos e ondas, além de sistemas complexos de comunicação de longa distância e inteligência artificial para tomada de decisão. Para validar essas capacidades, a Marinha realizou o exercício Integrated Battle Problem 23.2, iniciado em agosto de 2023, no qual os protótipos Mariner, Ranger, Seahawk e Sea Hunter navegaram 46.651 milhas náuticas com escalas no Japão e na Austrália.
A logística de reabastecimento em alto-mar também está em fase de teste. Em abril de 2026, o Military Sealift Command demonstrou a viabilidade de reabastecimento pela popa entre o navio-tanque USNS Guadalupe e o MUSV Seahawk, na costa da Califórnia, visando a futura integração desses veículos a grupos de ataque de porta-aviões.
Apesar da influência de conflitos recentes na Ucrânia e no Oriente Médio, o contra-almirante Douglas Sasse, diretor da divisão de avaliação N81, ressalta que as lições de mares restritos não se aplicam integralmente ao Pacífico. Devido à vastidão oceânica e à exposição das embarcações em longos deslocamentos, a região exige maior autonomia e estabilidade de comunicação do que cenários próximos à costa.
A projeção indica que os USVs não substituirão os navios tripulados, mas formarão uma frota combinada. Segundo o capitão Miller, essa estrutura oferece maior flexibilidade ao comando, permitindo que as embarcações autônomas executem tarefas de vigilância e monitoramento por meio de câmeras e sensores. O desafio imediato para a Marinha dos EUA agora consiste em definir a infraestrutura de bases, a manutenção e o controle operacional para que a autonomia marítima deixe de ser experimental e se torne parte regular do planejamento naval.