Médicos britânicos comparam impacto das redes sociais na saúde de jovens ao tabagismo
A Academy of Medical Royal Colleges comparou o impacto das redes sociais na saúde de jovens ao tabagismo em relatório apresentado nesta terça-feira (26). Metade de 454 médicos entrevistados relata atender semanalmente crianças com danos físicos ou mentais causados por conteúdos digitais. O governo britânico analisa a proibição do acesso de menores de 16 anos às plataformas
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Médicos britânicos comparam o impacto das redes sociais na saúde de jovens ao tabagismo, classificando o problema como uma questão de saúde pública similar à negligência no uso de cintos de segurança em veículos. O alerta foi formalizado pela Academy of Medical Royal Colleges, que agrupa as principais instituições médicas do Reino Unido, em um relatório apresentado durante consulta pública encerrada nesta terça-feira (26).
A gravidade do cenário é corroborada por dados clínicos: 50% de um grupo de 454 médicos entrevistados afirmam atender semanalmente ao menos uma criança com lesões físicas ou angústia mental causadas por conteúdos digitais. Os profissionais também identificaram um aumento de crianças radicalizadas após a exposição a materiais viciantes, perturbadores e de ódio.
Esses relatos coincidem com a análise do governo trabalhista sobre a viabilidade de proibir o acesso de menores de 16 anos às redes sociais, adotando a estratégia já implementada na Austrália. O primeiro-ministro Keir Starmer, que já havia sinalizado a possibilidade de restrições por questões de segurança em abril, deve se reunir nesta terça-feira com pais de jovens falecidos. O grupo inclui defensores da proibição, como Esther Ghey, cuja filha transgênero foi assassinada por dois adolescentes em 2023, e opositores à medida, como Ian Russell, que perdeu a filha de 14 anos para o suicídio após a exposição a conteúdos que incentivavam a prática.
A medida conta com o apoio de Wes Streeting, ex-secretário da Saúde e potencial rival de Starmer na liderança do Partido Trabalhista, que traçou um paralelo entre a conduta das gigantes de tecnologia e a atuação da indústria do tabaco. Embora Starmer tenha condicionado a decisão final ao término da consulta pública, a ministra da Tecnologia, Liz Kendall, afirmou que o governo implementará as medidas resultantes do processo ainda este ano.