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Memorial em Pyongyang indica que 2.300 soldados norte-coreanos morreram em combate ao lado da Rússia

20 de Maio de 2026 às 06:23

Análises de imagens de satélite e de um memorial em Pyongyang estimam a morte de 2.300 soldados norte-coreanos em combate ao lado da Rússia na Ucrânia. O número converge com dados da inteligência da Coreia do Sul sobre baixas militares. O envio de tropas ocorreu após um pacto de defesa mútua firmado entre os dois países em junho de 2024

Memorial em Pyongyang indica que 2.300 soldados norte-coreanos morreram em combate ao lado da Rússia
Montagem/BBC

Cerca de 2.300 soldados norte-coreanos morreram em combate ao lado da Rússia na guerra contra a Ucrânia. O número foi estimado a partir de análises de imagens de satélite e fotografias de um novo complexo memorial inaugurado em 26 de abril, em Pyongyang, chamado Museu Memorial dos Feitos de Combate em Operações Militares no Exterior.

A estrutura, localizada no distrito de Hwasong, foi ordenada por Kim Jong Un em outubro de 2025 e ocupa uma área de 52 mil metros quadrados. O memorial é composto por um prédio, um cemitério e duas paredes de 30 metros de comprimento onde constam os nomes dos militares. O cálculo do número de mortos baseia-se na disposição dessas paredes: cada uma possui nove seções com 16 colunas de nomes, totalizando 2.304 registros.

A estimativa converge com dados do Serviço Nacional de Inteligência (NIS) da Coreia do Sul. Em setembro de 2025, a agência informou que aproximadamente 2 mil soldados norte-coreanos morreram e 2,7 mil ficaram feridos. Posteriormente, em fevereiro, o NIS reportou que, de um contingente de 11 mil militares enviados à Rússia, cerca de 6 mil haviam sido mortos ou feridos.

O memorial adota um sistema hierárquico de homenagem. Soldados com reconhecimento especial, oficiais superiores ou aqueles que demonstraram valor extraordinário possuem túmulos e lápides ao ar livre — sendo 140 no lado oeste e 138 no lado leste do cemitério. Os demais militares são homenageados em urnas guardadas em um columbário, prédio de três andares com capacidade para abrigar ao menos mil conjuntos de restos mortais.

A mobilização de tropas ocorreu após um pacto de defesa mútua firmado entre a Coreia do Norte e a Rússia em junho de 2024. O envio de militares concentrou-se na região de Kursk, onde a Ucrânia realizou uma incursão surpresa dois meses após o acordo, capturando mais de mil quilômetros quadrados de território russo. Em contrapartida ao apoio bélico, Pyongyang teria recebido ajuda técnica, dinheiro e alimentos de Moscou.

A construção do monumento e de um complexo habitacional para veteranos e suas famílias, com mudanças iniciadas em março, é vista como uma estratégia do regime para justificar as altas baixas e manter o apoio interno. A iniciativa sinaliza que a Coreia do Norte pretende manter a cooperação militar com a Rússia, seu único parceiro estratégico diante do atual isolamento internacional, independentemente do desfecho do conflito.

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