Mineradores usam dinamites em protestos contra o governo de Rodrigo Paz na capital da Bolívia
Mineradores usaram dinamites em confrontos com a polícia em La Paz nesta quinta-feira (14) para exigir a renúncia do presidente Rodrigo Paz e novas regulamentações setoriais. O grupo foi repelido com gás lacrimogênio, sem registro de feridos
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Confrontos entre policiais e mineradores em La Paz, capital da Bolívia, resultaram no uso de dinamites por parte dos manifestantes nesta quinta-feira (14). O grupo tentava avançar em direção à Plaza Murillo, sede do governo boliviano, e foi repelido com bombas de gás lacrimogênio. Até o momento, não há registros de feridos.
A mobilização dos mineradores exige a renúncia do presidente Rodrigo Paz, além de novas regulamentações para o setor, revisão de contratos e maior disponibilidade de combustível e explosivos. O governo de Paz, que assumiu o cargo há seis meses com vitória expressiva nas urnas, enfrenta agora a pior crise econômica da Bolívia em quatro décadas. O cenário é marcado por escassez de dólares, queda na produção de energia e falta de combustíveis, com a inflação acumulada atingindo 14% em abril.
A instabilidade se expandiu para diversas categorias profissionais e sociais. Operários, professores, caminhoneiros, camponeses e grupos indígenas organizaram protestos em todo o país para cobrar reajustes salariais, combate à inflação e o fim de possíveis privatizações de estatais. Na última terça-feira (12), a polícia contabilizou 67 bloqueios de estradas, o que elevou o preço dos alimentos nos mercados da capital. O presidente Rodrigo Paz afirmou que tais interrupções agravam o desabastecimento nacional.
Paralelamente, grupos vinculados ao ex-presidente Evo Morales iniciaram, também na terça-feira, uma marcha de 180 quilômetros entre Oruro e La Paz para pressionar a saída de Paz do governo. Morales, que governou a Bolívia entre 2006 e 2019, é atualmente considerado foragido pela Justiça do país devido a uma acusação de suposto abuso de menor. O governo boliviano atribui o aumento da tensão social e o estímulo aos protestos a setores da oposição.