Ministro do Comércio defende que o Reino Unido retorne à União Europeia no futuro
O debate sobre a reintegração do Reino Unido à União Europeia retornou à política britânica após declarações de ministros e parlamentares. O ministro Chris Bryant e Wes Streeting defendem a readmissão futura, enquanto o primeiro-ministro Keir Starmer mantém postura cautelosa
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A possibilidade de o Reino Unido reintegrar a União Europeia voltou ao debate político britânico dez anos após o referendo que determinou a saída do país do bloco. O movimento ganhou tração com a declaração do ministro do Comércio, Chris Bryant, que manifestou a expectativa de que a readmissão ocorra no futuro, embora tenha ressaltado que tal medida não acontecerá no curto prazo.
Para Bryant, o Brexit resultou em graves prejuízos à economia britânica, descrevendo a decisão como um "gol contra". O ministro destacou que a União Europeia permanece como o principal parceiro comercial do Reino Unido, representando 47% de suas trocas, volume que não é compensado por acordos com nações como Suíça, Turquia e Coreia do Sul. Além disso, ele apontou que aproximadamente 16 mil empresas britânicas interromperam suas exportações para a Europa desde a saída do bloco.
A discussão foi intensificada por Wes Streeting, ex-ministro da Saúde e potencial sucessor do primeiro-ministro Keir Starmer. Streeting classificou a saída da União Europeia como um erro catastrófico, argumentando que o país tornou-se menos influente, menos rico e com menor capacidade de autogestão do que em qualquer período desde a Revolução Industrial, defendendo a retomada do debate sobre o tema.
O primeiro-ministro Keir Starmer mantém uma postura cautelosa. Embora tenha promovido a aproximação com Bruxelas para atender aos interesses nacionais, ele evita defender formalmente o retorno ao bloco, admitindo apenas que isso possa ocorrer daqui a alguns anos.
Esse cenário emerge em meio a uma crise de instabilidade política, após resultados insatisfatórios do Partido Trabalhista em eleições locais recentes, o que gerou pressões de parlamentares para que Starmer deixe o cargo ou estabeleça um cronograma de saída.
A pauta, no entanto, divide as lideranças trabalhistas. O prefeito de Manchester, Andy Burnham, considerou o Brexit prejudicial, mas opinou que este não é o momento de reabrir a discussão. A ministra da Cultura, Lisa Nandy, classificou a proposta de Streeting como estranha, enquanto o deputado Dan Carden alertou que as classes trabalhadoras não aceitariam a ideia de que erraram ao votar pela saída.
Na oposição, a líder conservadora Kemi Badenoch acusou o governo de tentar reabrir um assunto encerrado, e Nigel Farage, figura central da campanha do Brexit, afirmou que Streeting pretende arrastar o país de volta à União Europeia.
O Reino Unido deixou formalmente o bloco em 2020, após quatro anos de negociações iniciadas pelo referendo de 2016, no qual 51,9% dos eleitores optaram pela saída. Atualmente, Londres e Bruxelas buscam reconstruir a relação, tendo firmado em 2025 um acordo para flexibilizar o comércio de alimentos e ampliar a cooperação em segurança e defesa, com uma nova cúpula bilateral agendada para o verão europeu.