Missão Artemis II supera distância de viagens humanas anteriores e orbita a face oculta da Lua
A missão Artemis II levou quatro astronautas a uma distância superior a qualquer viagem humana anterior. A nave Orião operou de forma autônoma durante 40 minutos de isolamento total ao orbitar a face oculta da Lua. O contato com a Terra foi retomado após a saída da sombra lunar
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A missão Artemis II estabeleceu um novo marco na exploração espacial ao levar quatro astronautas a uma distância superior a qualquer viagem humana anterior, superando a marca atingida pela Apolo 13. Durante a trajetória, a nave Orião enfrentou um período de aproximadamente 40 minutos de isolamento total ao orbitar a face oculta da Lua, momento em que o satélite natural bloqueou as transmissões de rádio e laser com a Terra.
Apesar da interrupção nas comunicações, a tripulação manteve as atividades operacionais. A nave executou manobras autônomas baseadas em programação prévia, incluindo o acionamento de motores no lado oculto da Lua, etapa essencial para garantir o retorno dos astronautas. Para além da técnica, o intervalo impôs um isolamento psicológico, desligando os tripulantes do controle da missão e de seus familiares enquanto navegavam pelo espaço profundo. O contato foi restabelecido assim que a nave saiu da sombra lunar, com a astronauta Christina Koch manifestando a satisfação de retomar a comunicação com a Terra após o envio dos dados técnicos.
A infraestrutura da NASA, por meio da Rede de Espaço Profundo, permite a conexão com missões além da órbita terrestre, mas é incapaz de transpor a barreira física da Lua. A superação desse silêncio exigiria satélites de retransmissão em órbita lunar, tecnologia que a China já opera para manter a ligação com sondas na face oculta do satélite.
Essa limitação técnica motivou a análise do ex-astronauta espanhol Pedro Duque, que utilizou suas redes sociais para sugerir que a colaboração internacional poderia ter evitado o isolamento, caso os dois satélites de comunicação chineses fossem utilizados pela missão. A possibilidade de cooperação entre as potências espaciais, contudo, permanece condicionada a interesses políticos e estratégicos.