Morre Carlo Petrini, fundador do movimento Slow Food, aos 76 anos na Itália
O gastrônomo e jornalista Carlo Petrini morreu nesta quinta-feira (21), aos 76 anos, na Itália. Fundador do Slow Food, ele presidiu a organização de 1989 a 2022 e criou a Universidade de Ciências Gastronômicas
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Carlo Petrini, gastrônomo, escritor e jornalista, morreu nesta quinta-feira (21), aos 76 anos, em Bra, na região de Piemonte, Itália. A confirmação foi feita pelo Slow Food, organização internacional voltada à defesa de sistemas alimentares justos e sustentáveis que foi fundada por ele. A causa do óbito não foi divulgada.
A trajetória de Petrini ganhou escala global em 1986, quando liderou um protesto contra a instalação de uma unidade do McDonald's na Piazza di Spagna, em Roma. A mobilização resultou na criação da associação Arcigola, precursora do Slow Food Itália. Em dezembro de 1989, o Manifesto Slow Food foi assinado em Paris por representantes de diversos países, consolidando a filosofia do alimento "bom, limpo e justo", que integra justiça social, identidade cultural e sustentabilidade ambiental.
Ele presidiu o movimento desde 1989 até 2022, período em que a rede se expandiu para mais de 160 nações. Sob sua gestão, foram estabelecidos marcos como a Arca do Gosto, as Fortalezas Slow Food, as Hortas na África e o encontro internacional Terra Madre, iniciado em 2004. Após deixar a presidência para dar lugar ao ugandense Edward Mukiibi, Petrini permaneceu no Conselho de Administração da entidade.
No campo acadêmico, fundou a Universidade de Ciências Gastronômicas, em Pollenzo, primeira instituição a tratar os estudos alimentares de forma interdisciplinar. Como presidente da universidade, contribuiu para a formação de aproximadamente 4.000 profissionais de 100 países, articulação que levou o governo italiano a oficializar o bacharelado na área em 2017.
A atuação de Petrini também se estendeu ao diálogo com a Igreja Católica. Em 2017, criou as Comunidades Laudato Si' ao lado do Monsenhor Domenico Pompili, bispo de Verona, organizando cerca de 80 grupos baseados na encíclica do Papa Francisco sobre a preservação do planeta. Essa proximidade com o pontífice resultou na publicação do livro Terrafutura, em 2020, somando-se a outras obras do autor sobre eco-gastronomia.
Como jornalista, colaborou com veículos como Il Fatto Quotidiano, Il Manifesto, La Repubblica e La Stampa, destinando integralmente seus rendimentos profissionais aos projetos da universidade e do Slow Food.
O reconhecimento internacional incluiu títulos honorários e doutorados por instituições como a Universidade de Palermo, a American University of Rome, o International University College de Turim, a Universidade de New Hampshire, nos Estados Unidos, e a Universidade de Messina, em 2025.
A ONU premiou sua dedicação ao desenvolvimento sustentável, concedendo-lhe, em 2013, o título de "Campeões da Terra" pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. Em 2016, tornou-se Embaixador Especial da FAO para a Fome Zero na Europa. Além disso, foi classificado como "Herói Europeu" pela revista Time em 2004 e integrou, em 2008, a lista do jornal The Guardian com as 50 pessoas capazes de salvar o mundo.
Em nota, o Slow Food destacou que a determinação e a dedicação de Petrini ao longo de sua vida servirão como guia para o movimento e para todos que compartilharam de sua visão.