Multidões lotam as ruas de Teerã em procissão de despedida ao aiatolá Ali Khamenei
Milhares de pessoas acompanharam, nesta segunda-feira (6), a procissão em Teerã para o aiatolá Ali Khamenei, morto em 28 de fevereiro de 2026 em ataque dos Estados Unidos e Israel. O cortejo segue até quinta-feira (9) para o sepultamento no santuário do Imã Reza, em Mashhad
Milhares de pessoas vestidas de preto lotaram as ruas de Teerã nesta segunda-feira (6) para acompanhar a procissão em homenagem ao aiatolá Ali Khamenei. O líder supremo do Irã morreu em 28 de fevereiro de 2026, aos 86 anos, vítima de um ataque aéreo conjunto realizado por Estados Unidos e Israel, bombardeio que também causou a morte de sua filha, seu genro, uma nora e um neto.
O cortejo, iniciado no sábado (4) e com encerramento previsto para quinta-feira (9), culminará no sepultamento de Khamenei no santuário do Imã Reza, em Mashhad. Durante o trajeto, o caixão do clérigo e os de seus familiares foram transportados em um caminhão decorado como a grade ornamental de um santuário de imã. O general da Guarda Revolucionária Hasan Hasanzadeh, responsável pela supervisão do evento, informou que os caixões percorrerão as ruas da capital em uma jornada de 12 horas até o Aeroporto Internacional de Mehrabad.
Imagens da televisão estatal mostraram multidões estendendo-se por quilômetros a partir da Praça Azadi. O volume de participantes superou a procissão de 2020, realizada para o general Qassem Soleimani, que reuniu mais de 1 milhão de pessoas. Para viabilizar o evento e marcar o luto nacional, as autoridades interditaram ruas e o espaço aéreo, suspendendo as atividades cotidianas. Durante o percurso, funcionários utilizaram alto-falantes para orientar o público a evitar empurrões e manter a circulação lenta pelas laterais da via.
A mobilização popular massiva ocorre em um momento em que a teocracia iraniana busca projetar força, enquanto negocia com Washington o fim definitivo da guerra que resultou na morte do líder. Paralelamente, manifestantes expressaram sentimentos de vingança contra os Estados Unidos e Israel. Cartazes e faixas pediam a morte do presidente americano Donald Trump e do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, incluindo representações gráficas de Trump sendo enforcado.
A tensão entre as nações é persistente, com o governo dos EUA monitorando ameaças iranianas contra Trump e outros membros da administração federal há anos, especialmente após a ordem de assassinato de Soleimani em 2020. Embora o Irã negue a existência de planos para matar o presidente americano, propagandas de alas radicais do país sugerem que Trump é um alvo de Teerã.