Museu da Royal Air Force preserva a trajetória da aviação militar britânica em Londres
O Museu da Royal Air Force, sediado no antigo aeroporto de Hendon em Londres, preserva a trajetória da aviação militar britânica com entrada gratuita. Inaugurado em 1972, o acervo organiza cronologicamente aeronaves desde antes da Primeira Guerra Mundial até o modelo Harrier GR9A. A coleção inclui aviões de combate, bombardeiros e helicópteros de diversas nacionalidades
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Localizado no distrito de Colindale, a cerca de 12 quilômetros do centro de Londres, o Museu da Royal Air Force (RAF) preserva a trajetória da aviação militar britânica em um espaço que foi, historicamente, um dos berços do setor no Reino Unido. O aeroporto de Hendon, onde a instituição está sediada, iniciou suas operações em 1910 e foi palco de disputas históricas sobre a primazia do primeiro aeroporto do país.
A infraestrutura de Hendon alternou entre usos civis e militares ao longo do século XX. Inicialmente voltado para voos comerciais e treinamento, o local foi militarizado durante a Primeira e a Segunda Guerra Mundial. No segundo conflito, serviu como base para unidades de combate na Batalha da Inglaterra e como ponto de transporte para altas autoridades devido à proximidade com a capital. O aeroporto foi desativado em 1987, pressionado pelo crescimento das áreas residenciais vizinhas e por limitações técnicas de suas pistas.
Inaugurado oficialmente em 1972, o museu oferece acesso gratuito e organiza seu acervo em uma progressão cronológica. A exposição inicia-se com modelos anteriores à Primeira Guerra Mundial, avançando pelos períodos entre guerras, Segunda Guerra Mundial, era pós-guerra e a contemporaneidade.
Entre as peças da Primeira Guerra Mundial, destaca-se o Sopwith Triplane de 1917, cuja manobrabilidade influenciou a criação do Fokker DR.1 alemão. O acervo conta ainda com o Albatros D.Va — representado por uma réplica com motor original, modelo utilizado por Manfred von Richthoffen — e o avião de reconhecimento Royal Aircraft Factory R.E.8, equipado com metralhadoras Vickers e Lewis de 7,7 mm.
O período da Batalha da Inglaterra é representado pelo Hawker Hurricane Mk.1 e pelo Spitfire, além do Messerschmitt Bf-109E alemão, equipado com canhão de 20 mm. A coleção inclui também o Fiat CR.42 Falco, único exemplar existente do último caça biplano italiano, abatido durante os combates de 1940.
No setor de aeronaves de grande porte e ataque, o museu exibe o hidroavião Short Sunderland MR5, com 34 metros de envergadura e autonomia de 13 horas, e o Bristol Beaufighter TF.X, utilizado na Europa e Ásia até 1960. O acervo alemão apresenta o bombardeiro médio Heinkel He 111H20, capturado intacto ao fim da guerra, e o Junkers Ju-87 "Stuka" (versão Ju-87D/G-2), especializado na destruição de tanques.
A engenharia britânica é representada pelo Havilland Mosquito B35, construído majoritariamente em madeira, e pelo Avro Lancaster Mk I. Este último, o maior bombardeiro britânico, é um dos destaques do museu por ter completado 137 missões, superando a média de 21 da maioria de seus pares. Em contrapartida, a defesa alemã contra esses ataques é exemplificada pelo Messerschmitt Bf 110 G-4, equipado com radar e canhões oblíquos "Schräge Musik".
A transição para a era dos helicópteros e jatos inclui o Bristol Type 192 Belvedere, primeiro modelo de rotor duplo do país, e o Westland Wessex HCC4, versão voltada ao transporte de pessoal e da realeza. Entre os caças de alta performance, sobressai o English Electric Lightning F6, único interceptor operacional com motores sobrepostos, e o Blackburn Buccaneer, projetado para voos rasantes contra defesas soviéticas e utilizado na Guerra do Golfo de 1991.
A exposição encerra-se com o British Aerospace Harrier GR9A, fruto de cooperação com a MacDonnell Douglas. A aeronave exibe a pintura comemorativa do fim da operação do modelo, que ocorreu em 2010 para a implementação do F-35.