Netanyahu admite que Israel não previu a magnitude da crise no Estreito de Ormuz
Benjamin Netanyahu admitiu ao programa "60 Minutes" que Israel não previu a magnitude da crise no Estreito de Ormuz. O premiê defendeu a continuidade de ofensivas contra o programa nuclear iraniano e o Hezbollah. O primeiro-ministro também relatou o fortalecimento de alianças com Estados árabes e a persistência do Hamas
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Benjamin Netanyahu admitiu, em entrevista ao programa "60 Minutes" da emissora CBS neste domingo (10), que Israel não previu a magnitude da crise no Estreito de Ormuz ao iniciar o conflito contra o Irã. O primeiro-ministro afirmou que a importância estratégica da rota marítima, fundamental para o transporte global de petróleo e gás, foi compreendida apenas com o desenrolar dos combates. Ao comentar reportagens sobre a crença inicial de que Teerã estaria fraco demais para bloquear a passagem, Netanyahu reconheceu a imprecisão das análises prévias, ressaltando que nem Israel nem o Irã possuíam previsões perfeitas sobre o cenário.
A primeira conversa do premiê com a televisão americana desde o começo da guerra, que já dura 11 semanas, deixou claro que o conflito não terminou. Netanyahu indicou a necessidade de novas ofensivas contra grupos aliados de Teerã, instalações de enriquecimento de urânio e o programa nuclear iraniano. Sobre a remoção de urânio altamente enriquecido do território do Irã, ele sugeriu a entrada direta para a retirada do material, sem especificar se a operação seria conduzida por forças israelenses ou dos Estados Unidos, embora tenha mencionado a disposição do presidente Donald Trump em agir.
A estratégia de Israel e Washington para neutralizar a capacidade nuclear iraniana segue em avaliação, dado que o país mantém a produção de mísseis balísticos e instalações nucleares. Paralelamente, o premiê afirmou que a luta contra o Hezbollah, no Líbano, continuará mesmo que haja um acordo entre Washington e Teerã. Netanyahu argumentou que o Irã tenta condicionar um cessar-fogo no Golfo ao fim das operações contra o Hezbollah e defendeu que o enfraquecimento ou a queda do regime iraniano causaria o colapso de aliados como Hamas e Houthis.
No campo diplomático, o primeiro-ministro relatou um aprofundamento inesperado de alianças estratégicas com Estados árabes, com cooperação em inteligência artificial, tecnologia e energia. Em contrapartida, acusou a China de fornecer componentes para a fabricação de mísseis iranianos, embora não tenha apresentado provas.
Netanyahu também abordou a dimensão política e financeira do conflito. Ele defendeu a redução gradual da assistência militar anual de US$ 3,8 bilhões enviada pelos Estados Unidos a Israel. Sobre a imagem internacional do país, especialmente após a ofensiva em Gaza, o premiê atribuiu a deterioração ao impacto das redes sociais e a manipulações digitais externas. Ele citou dados do Pew Research Center, que apontam que 60% dos adultos americanos têm agora uma visão desfavorável de Israel, um aumento de quase 20 pontos percentuais em quatro anos. Por fim, o premiê reconheceu que, apesar das operações militares, o objetivo estratégico de desarmar o Hamas ainda não foi alcançado.