Netanyahu busca atenuar tensão diplomática com Donald Trump após desentendimento sobre ofensivas no Líbano
Benjamin Netanyahu concedeu entrevista à CNBC nesta quarta-feira (3) para reduzir a tensão diplomática com Donald Trump. O conflito surgiu após o presidente dos EUA pressionar Israel a interromper ofensivas no Líbano e proferir críticas ao premiê
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, buscou atenuar a tensão diplomática com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em entrevista à CNBC nesta quarta-feira (3). O movimento ocorre após Trump confirmar ter tido uma conversa telefônica "raivosa" com o premiê no último fim de semana, na qual pressionou Israel a interromper as ofensivas contra o Líbano.
O desentendimento foi intensificado por relatos do site Axios, que apontaram que Trump teria chamado Netanyahu de "louco" e afirmado que o líder israelense só não foi preso devido ao apoio norte-americano, considerando que há um mandado de prisão internacional contra ele emitido pelo Tribunal de Haia. Embora tenha confirmado a veracidade dessas declarações, o presidente dos EUA afirmou que mantém um bom relacionamento com o aliado.
A crise entre os dois líderes foi desencadeada pela decisão de Israel de intensificar bombardeios em território libanês, ignorando as determinações de Trump e desrespeitando o cessar-fogo vigente no Oriente Médio. Netanyahu, por sua vez, informou que mantém contato telefônico com Trump a cada dois dias e que o presidente estadunidense analisa diferentes opções para a região. Sobre o Irã, o premiê não descartou a possibilidade de novos conflitos diretos, que haviam sido interrompidos por uma trégua mediada pelo Paquistão.
A persistência dos ataques israelenses prejudica as negociações entre Washington e Teerã para o encerramento da guerra. O Irã e o Paquistão defendem que o Líbano faz parte dos termos da trégua e o governo iraniano ameaçou romper o cessar-fogo caso os bombardeios continuem. Como reflexo dessa instabilidade, países do Golfo Pérsico registraram ataques de drones iranianos nesta quarta-feira, com o principal aeroporto do Kuwait sendo atingido e o acionamento de sirenes de defesa aérea no Bahrein, algo que não ocorria desde a assinatura do acordo entre EUA e Irã, em 16 de abril.
Paralelamente a esse cenário, iniciou-se nesta terça-feira (2) uma nova rodada de negociações para encerrar os combates entre Israel e o Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, manifestou a expectativa de que as reuniões, encerradas nesta quarta-feira, resultem em um plano de ação e em uma declaração conjunta.