Mundo

Nobel da Paz Narges Mohammadi é transferida para hospital em Teerã após estado de saúde grave

10 de Maio de 2026 às 16:18

A Nobel da Paz Narges Mohammadi foi transferida para um hospital em Teerã após internação em Zanjan e quadro clínico grave. A mudança ocorreu por decisão da Organização de Medicina Legal do Irã, enquanto a fundação da ativista informou a suspensão condicional de sua pena mediante fiança

A ativista Narges Mohammadi, laureada com o Prêmio Nobel da Paz em 2023, foi transferida para um hospital em Teerã após passar mais de uma semana internada em uma unidade de saúde local. A mudança de ala médica ocorreu depois de pressões da família e de alertas sobre o estado crítico da paciente, que estava detida desde dezembro na prisão de Zanjan.

A transferência foi viabilizada por uma decisão da Organização de Medicina Legal, órgão de médicos legistas do governo iraniano, que reconheceu a necessidade de Mohammadi receber tratamento especializado fora do sistema prisional e sob a supervisão de sua própria equipe médica, devido a múltiplas enfermidades. Anteriormente, a recomendação de remoção para a capital havia sido bloqueada, decisão atribuída por seu irmão, Hamidreza Mohammadi, à agência de inteligência do Irã.

O quadro clínico da defensora dos direitos das mulheres, de 53 anos, é grave. Após ser brutalmente espancada durante a detenção na cidade de Mashhad, Mohammadi sofreu um ataque cardíaco em março. Ela também convive com um coágulo no pulmão, condição prévia à prisão que exige monitoramento constante e uso de anticoagulantes. No início de maio, a ativista perdeu a consciência por duas vezes, sendo levada para a terapia intensiva cardíaca do hospital de Zanjan, onde apresentou oscilações extremas de pressão arterial, incapacidade de fala e dependência de oxigênio.

Paralelamente ao estado de saúde, a fundação de Mohammadi informou que ela obteve a suspensão condicional da pena mediante fiança, embora o período dessa suspensão não tenha sido detalhado. A entidade, que enviou a atualização à Associated Press, defende que a medida é insuficiente e exige a liberdade incondicional da ativista, com a retirada de todas as acusações, para evitar que ela retorne à prisão para cumprir os 18 anos restantes de sua sentença.

O Comitê Nobel também interveio no caso, solicitando às autoridades iranianas a transferência imediata para a equipe médica em Teerã, sob o argumento de que a vida da laureada permanecia em risco. Até o momento, o governo do Irã não se pronunciou sobre o caso.

Notícias Relacionadas