Nova vítima relata ter sido estuprada por Jeffrey Epstein durante período de prisão domiciliar
Uma nova vítima relatou ter sido estuprada por Jeffrey Epstein durante a prisão domiciliar do financista. O depoimento ocorreu em audiência promovida por parlamentares democratas na Flórida. Um relatório recente concluiu que o acordo judicial de 2008 viabilizou a continuidade dos abusos sexuais por quase dez anos
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Uma nova vítima de Jeffrey Epstein relatou ter sido estuprada repetidamente pelo financista durante o período em que ele cumpria prisão domiciliar. O depoimento de Roza, identificada apenas pelo primeiro nome, ocorreu em uma audiência organizada por parlamentares democratas da Câmara dos Representantes em West Palm Beach, na Flórida, local onde os crimes de Epstein surgiram inicialmente e onde fica a residência de Donald Trump, em Mar-a-Lago.
Roza contou que foi recrutada em 2008, aos 18 anos, pelo ex-agente de modelos francês Jean-Luc Brunel, no Uzbequistão, com a promessa de uma carreira de modelo. Em maio de 2009, a jovem estava em Nova York com um visto e, dois meses depois, foi apresentada a Epstein na residência deste, na Flórida. Na ocasião, o financista ofereceu a ela um cargo em sua Fundação de Ciência da Flórida para auxiliá-la em dificuldades financeiras.
Os abusos ocorreram ao longo de três anos. O crime foi possível porque o acordo judicial firmado após a condenação de Epstein em 2008 — quando ele foi sentenciado por aliciar menor para prostituição — permitia que ele deixasse a custódia por até 16 horas diárias, seis dias por semana, para trabalhar em sua instituição.
A audiência, embora sem poder legal, visou manter a visibilidade do caso e foi promovida por democratas do Comitê de Supervisão da Câmara e parlamentares locais. O grupo utilizou o espaço para ouvir relatos sobre a impunidade de Epstein e seus cúmplices, além do abandono das vítimas pelo sistema judiciário. Maria Farmer, outra sobrevivente, enviou uma mensagem gravada afirmando ter denunciado os abusos já em 1996, acusando as agências de segurança pública de negligência.
Paralelamente, um relatório divulgado na última terça-feira (12) concluiu que o acordo judicial de 2008 viabilizou a continuidade das atividades de tráfico e abuso sexual de Epstein por quase dez anos. Atualmente, o comitê, de maioria republicana, investiga os crimes do financista, enquanto a ala democrata questiona a gestão dos arquivos do caso durante o governo Trump.
Roza relatou que a exposição acidental de seu nome em documentos do Departamento de Justiça dos EUA, enquanto figuras poderosas permaneciam anônimas sob tarjas, causou a reiteração de seu trauma. O órgão governamental admitiu a falha técnica ou humana e informou ter removido os arquivos do site após a denúncia de que a identidade de vítimas havia sido exposta.
Jeffrey Epstein, registrado como agressor sexual desde 2008, morreu em uma cela em Nova York em 10 de agosto de 2019, enquanto aguardava novo julgamento por tráfico sexual.