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Noventa e nove guerrilheiros da CNEB entregam armas em região de selva no sul da Colômbia

19 de Junho de 2026 às 15:03

Noventa e nove integrantes da Coordenadora Nacional Exército Bolivariano entregaram seus fuzis nesta quinta-feira (18) no departamento de Putumayo, Colômbia. O grupo permanecerá por dez meses em uma zona especial para a consolidação de acordos jurídicos e desarmamento definitivo

Noventa e nove guerrilheiros da CNEB entregam armas em região de selva no sul da Colômbia
Raul Arboleda/AFP

Noventa e nove guerrilheiros da Coordenadora Nacional Exército Bolivariano (CNEB) entregaram seus fuzis nesta quinta-feira (18) em uma região de selva no departamento de Putumayo, ao sul da Colômbia. O grupo depositou o armamento em um contêiner com a frase "Aposta na vida, cumpro a paz", marcando o avanço mais significativo da estratégia de "paz total" implementada pelo presidente Gustavo Petro.

Os rebeldes, que são dissidentes do acordo de 2016 firmado com as Farc, foram transportados por helicópteros militares de áreas remotas até o Vale do Guamuez. No local, receberam livros e kits de higiene antes de serem instalados em casas com painéis solares, onde permanecerão por dez meses sob proteção de escoltas estatais. A área, anteriormente utilizada para o cultivo de coca, servirá como zona especial para que o grupo busque a consolidação de acordos jurídicos e o desarmamento definitivo.

A CNEB, estimada pelo governo entre 2.000 e 2.500 integrantes, é a única organização guerrilheira que progride sem entraves nas negociações com Petro. Embora controle pontos estratégicos para o narcotráfico na fronteira com o Equador, a organização é menor que o Exército de Libertação Nacional (ELN) ou a dissidência liderada por Iván Mordisco. O grupo em Putumayo responde a Walter Mendoza, ex-integrante das Farc que assinou a paz em 2016, mas retomou a luta armada em 2019.

O movimento ocorre em um cenário de alta tensão política, a poucos dias do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (21). A disputa coloca frente a frente o senador Iván Cepeda, aliado de Petro e defensor da continuidade dos processos de paz, e Abelardo de la Espriella, candidato de direita que defende o fim de qualquer diálogo com grupos ilegais e a aplicação de "mão de ferro" contra rebeldes e narcotraficantes.

A transição de poder, prevista para 7 de agosto, gera incerteza para os guerrilheiros, já que o novo mandatário poderá encerrar as negociações, revogando benefícios como a suspensão de mandados de prisão. A política de Petro também enfrenta resistência externa; a recusa do presidente em extraditar comandantes engajados na paz desagrada Washington. Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, manifestou apoio aberto a De la Espriella em um período de violência acentuada na Colômbia, maior produtora de cocaína do mundo.

Para a delegação de paz do governo, a entrega das armas envia um recado contundente à sociedade colombiana em meio ao cenário de conflito. O gesto é considerado incomum no histórico de seis décadas de guerra do país, tendo ocorrido anteriormente apenas um ano após a assinatura do pacto com as Farc.

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