Novo catalisador dos Estados Unidos simplifica a produção de combustível de aviação sustentável
O Laboratório Nacional de Oak Ridge desenvolveu um catalisador que converte etanol em olefinas em etapa única para reduzir custos do combustível de aviação sustentável. A tecnologia foi licenciada pela empresa Gevo para testes em reatores piloto durante três anos. O projeto conta com financiamento do Departamento de Energia dos Estados Unidos
A criação de um novo catalisador nos Estados Unidos promete reduzir os custos de produção do combustível de aviação sustentável (SAF) ao simplificar a transformação de etanol em olefinas. A tecnologia, desenvolvida pelo Laboratório Nacional de Oak Ridge (ORNL), do Departamento de Energia dos EUA, permite que a conversão desses precursores essenciais ocorra em uma única etapa, eliminando a necessidade de múltiplas fases exigidas pelos métodos convencionais.
O avanço tecnológico foi licenciado pela Gevo, empresa de biocombustíveis do Colorado, por meio de duas patentes do ORNL. A parceria visa transferir a tecnologia da escala laboratorial para reatores piloto, unindo a pesquisa acadêmica à experiência industrial para testar a viabilidade do processo em condições operacionais reais.
O projeto é viabilizado por um acordo de cooperação em pesquisa e desenvolvimento com duração de três anos, financiado pelo Fundo de Comercialização de Tecnologia do Departamento de Energia. Durante esse período, o ORNL desenvolverá e testará pastilhas catalíticas em reatores químicos, além de criar modelos computacionais para prever o desempenho industrial. O Centro de Ciências de Materiais Nanofásicos será utilizado para analisar o comportamento do catalisador em larga escala.
A Gevo contribuirá com a expertise em projeto e operação de processos, orientando a integração da tecnologia ao reator piloto. O objetivo é avaliar a conversão do etanol não apenas em precursores de combustível, mas também em produtos químicos como o butadieno. As olefinas resultantes podem, ainda, ser aplicadas na fabricação de solventes, surfactantes e plásticos, setor com projeção de mercado superior a US$ 1,3 trilhão até 2033.
Esta nova rota tecnológica se diferencia da plataforma ETO da Gevo e do processo de conversão de álcool em querosene da Axens. A expansão da tecnologia dependerá de uma avaliação econômica que confirme sua viabilidade, o que poderá abrir novos mercados e aumentar a demanda para agricultores de matérias-primas energéticas nos Estados Unidos.
O desenvolvimento ocorre em um cenário de pressão por soluções escaláveis, com companhias aéreas assumindo compromissos de compra de SAF e o interesse da Associação Internacional de Transporte Aéreo, que representa mais de 80% do tráfego global. O SAF, produzido a partir de óleos, gorduras, resíduos agrícolas e renováveis, é a principal alternativa para a descarbonização do setor. Com a previsão de que a demanda global por combustível de aviação chegue a 230 bilhões de galões até 2050, a eficiência na produção de biocombustíveis é estratégica para a segurança energética norte-americana e a redução de emissões atmosféricas.