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Novo presidente da Colômbia sinaliza alinhamento estratégico com o governo de Donald Trump

25 de Junho de 2026 às 06:09

Abelardo de la Espriella venceu as eleições na Colômbia com quase 13 milhões de votos, superando Iván Cepeda. O novo presidente planeja estreitar a cooperação com o governo de Donald Trump e substituir a estratégia de "paz total" por confrontos diretos contra narcoterroristas

A vitória de Abelardo de la Espriella nas eleições da Colômbia, ocorrida no último domingo (21), redefine a dinâmica geopolítica na América do Sul e sinaliza um alinhamento estratégico imediato com o governo de Donald Trump. O novo presidente eleito, que possui nacionalidade americana e se declara admirador de Trump, recebeu felicitações rápidas de Marco Rubio, secretário de Estado dos Estados Unidos, que manifestou a intenção de Washington em estreitar a cooperação em segurança regional, no combate à migração ilegal e no fortalecimento de laços econômicos.

O triunfo de De la Espriella, consolidado por uma apuração preliminar de quase 13 milhões de votos contra 12,7 milhões de Iván Cepeda, encerra um ciclo de quatro anos de tensões diplomáticas sob a gestão progressista de Gustavo Petro. Durante esse período, as relações entre Bogotá e Washington foram marcadas por crises em temas como política de drogas e segurança, apesar de uma tentativa de aproximação em fevereiro deste ano. A mudança de governo na Colômbia, somada à provável vitória de Keiko Fujimori no Peru, isola as administrações de esquerda no Brasil e Uruguai como os únicos governos sul-americanos distantes da agenda republicana americana.

No campo da segurança, De la Espriella propõe a substituição da estratégia de "paz total" de Petro — focada em negociações que não impediram a expansão de grupos armados, hoje com mais de 27 mil integrantes — por uma abordagem de confronto direto. O presidente eleito pretende aumentar o orçamento militar e bombardear acampamentos de narcoterroristas e carregamentos de drogas. Essa postura converge com a ofensiva militar dos Estados Unidos que, desde setembro de 2025, resultou em mais de 200 mortos em ataques a narcoembarcações no litoral sul-americano, além da captura de Nicolás Maduro e operações conjuntas no Equador e Venezuela.

Para viabilizar esse plano, De la Espriella cogita a implementação de um "Plano Colômbia 2.0", inspirando-se em pacotes de ajuda militar e econômica do início dos anos 2000 e na "Segurança Democrática" de Álvaro Uribe. Embora essas medidas tenham debilitado as Farc no passado, a história recente mostra que o uso da força não resolveu a economia ilícita nem as desigualdades sociais, além de ter fomentado a atuação de grupos paramilitares. Para mitigar esses riscos, o presidente eleito prometeu, em seu discurso de vitória, governar para todos os colombianos e levar investimentos às regiões mais violentas.

Apesar da sintonia ideológica, a relação entre Bogotá e Washington enfrenta desafios concretos. A Colômbia foi severamente impactada por cortes de verbas da USAID durante a gestão Trump, e há dúvidas sobre a disposição do republicano em retomar a generosidade financeira em assistência social. Paralelamente, a China consolidou-se como um competidor direto dos Estados Unidos, disputando a posição de maior parceiro comercial da Colômbia. O novo governo colombiano precisará equilibrar a dependência dos investimentos chineses com a agenda de segurança imposta por Washington, enquanto lida com a resistência interna devido à margem estreita de vitória nas urnas.

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