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Número de mortos em duplo terremoto na Venezuela sobe para 2.295 vítimas

01 de Julho de 2026 às 18:08

Um duplo terremoto na Venezuela causou 2.295 mortes e deixou milhares de desaparecidos. A diáspora venezuelana organiza a remessa de suprimentos e a busca por sobreviventes via redes sociais. Equipes de El Salvador atuam no resgate em La Guaira

Número de mortos em duplo terremoto na Venezuela sobe para 2.295 vítimas
Federico Parra/AFP

O número de mortos em decorrência do duplo terremoto que atingiu a Venezuela subiu para 2.295, deixando dezenas de milhares de desaparecidos e expondo a vulnerabilidade de milhões de venezuelanos que residem fora do país. A magnitude da tragédia mobilizou redes de apoio em cidades como Miami, Madri e Santiago, de onde a diáspora — estimada em 7,9 milhões de pessoas na última década, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) — organiza o envio de fórmulas infantis, fraldas e medicamentos, além de coordenar pedidos de resgate.

A dificuldade de obter informações em tempo real transformou grupos de mensagens e redes sociais nas principais ferramentas de busca por sobreviventes. No edifício Petunia, em um bairro de classe média de Caracas, moradores que vivem em países como Espanha, Panamá, República Dominicana, Equador e Estados Unidos utilizaram o WhatsApp para restabelecer contato e monitorar a situação do prédio. Entre as vítimas do local, um casal e a filha morreram, sobrevivendo apenas o filho, que estuda na Itália.

Nesse cenário, María Pessina, residente no Equador, confirmou a morte da mãe, Magnolia, após quatro dias de buscas. A confirmação ocorreu no sábado, por meio de uma fotografia, depois que a família, espalhada entre Suíça, Alemanha e Equador, monitorou listas de hospitais em Caracas com a ajuda de um motociclista. María havia retornado ao Equador poucas horas antes dos sismos de 24 de junho, após visitar a mãe por três semanas.

A crise humanitária também se manifesta na região de La Guaira, onde a população se organizou autonomamente até a chegada de equipes de resgate vindas de El Salvador no último fim de semana. Relatos de moradores, como o de Andre, que busca notícias do cunhado Jorge Sedano no edifício Vallarta, apontam falhas graves nas operações. Na terça-feira, as buscas no prédio citado foram interrompidas após policiais serem flagrados roubando dólares entre os escombros, priorizando a apropriação de valores em vez do salvamento de possíveis sobreviventes.

Para os emigrados, a distância geográfica impõe a impossibilidade de realizar ritos fúnebres presenciais. No caso da família Pessina, a despedida de Magnolia deverá ocorrer via transmissão ao vivo, enquanto as irmãs da vítima recebem as cinzas para uma cerimônia com música.

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