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Obras para a Copa do Mundo reduzem a renda de trabalhadoras sexuais na Cidade do México

13 de Maio de 2026 às 18:04

Obras de infraestrutura para a Copa do Mundo na Cidade do México causaram congestionamentos e alterações no metrô e na avenida Tlalpan. A instalação de uma ciclovia nessa via reduziu a renda de trabalhadoras sexuais e gerou riscos de acidentes. A prefeitura negocia a criação de normas de conduta e seguridade social para a categoria

Obras para a Copa do Mundo reduzem a renda de trabalhadoras sexuais na Cidade do México
Yuri Cortez / AFP

As obras de infraestrutura para a Copa do Mundo, organizada conjuntamente por México, Estados Unidos e Canadá, estão provocando impactos profundos na dinâmica urbana da Cidade do México. A pressa para concluir as remodelações até o início do torneio, marcado para 11 de junho, resultou em congestionamentos no aeroporto e em intervenções no metrô, especialmente nas estações do centro histórico. Na avenida Tlalpan, via estratégica que liga o centro ao sul da capital e dá acesso ao estádio Azteca — local do jogo de abertura entre México e África do Sul —, a instalação de uma nova ciclovia alterou a rotina de quem circula e trabalha na região.

A nova via, inaugurada com pompa pela prefeitura, criou uma barreira física entre a avenida e a calçada, prejudicando a atividade de trabalhadoras sexuais que dependem da visibilidade para atrair clientes. Profissionais como Flor e Monserrat Fuentes, que atua na região há 20 anos, relatam a queda drástica na renda: enquanto algumas chegavam a faturar mais de 160 dólares em uma noite, agora mal atingem 40 dólares. Além do prejuízo financeiro, a configuração do trânsito gera riscos de acidentes, com veículos que ignoram a ciclovia para acessar a avenida.

O cenário reflete um conflito social maior. De acordo com a ONG Brigada Callejera de Apoyo a la Mujer, a capital mexicana concentra 15 mil trabalhadoras sexuais, de um total de 800 mil em todo o país. Elvira Madrid, fundadora da organização e coordenadora da Rede Mexicana de Trabalho Sexual, classifica as intervenções urbanas como uma "limpeza social" destinada a projetar a imagem de um México de primeiro mundo. Em protesto na avenida Tlalpan, a militante defendeu que a via deve ser acessível a todos.

Embora a prefeitura afirme estar em negociações com as profissionais, os termos do acordo permanecem desconhecidos. Em 2025, o secretário de Governo, César Cravioto, mencionou ao jornal 24 Horas a elaboração de uma proposta para garantir direitos e seguridade social à categoria, sob pressão por reconhecimento legal. No entanto, a fala de Cravioto também incluiu a intenção de estabelecer códigos de conduta, horários e normas de vestimenta para evitar impactos aos moradores locais, o que alimentou rumores sobre a imposição do uso de camisas da seleção mexicana para as trabalhadoras.

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