Oito em cada dez professores na Espanha já utilizam ferramentas de inteligência artificial generativa
Oitenta por cento dos professores da Espanha utilizam IA generativa, com 60% integrando a tecnologia à prática pedagógica. O uso ocorre principalmente em planos de aula, tarefas administrativas, simulações e provas, sob diretrizes do Ministério da Educação. A adoção dessas ferramentas reduz o tempo de criação de materiais didáticos entre seis e quinze horas semanais
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A integração de ferramentas de inteligência artificial (IA) generativa tornou-se uma prática consolidada no sistema educacional da Espanha, com 80% dos professores já utilizando a tecnologia. De acordo com o sexto relatório "Educar na Era da Inteligência Artificial" (Empantallados e Gad3), a adoção deixou de ser uma tendência para se tornar cotidiana, visto que mais da metade dos docentes utiliza essas ferramentas diversas vezes por semana e 60% afirmam que a IA está plenamente integrada à sua prática pedagógica.
Essa mudança estrutural é amparada por diretrizes institucionais do Ministério da Educação através do Instituto Nacional de Tecnologias Educativas e de Formação do Professorado (INTEF). Em 2025, o órgão publicou o "Guia sobre o Uso da Inteligência Artificial no Âmbito Educativo", documento que orienta a aplicação ética da tecnologia em etapas não universitárias. A base para essa transição já havia sido estabelecida em 2022 com o "Marco de Referência para a Competência Digital do Professor" (MRCDD), que previa a capacitação docente em tecnologias emergentes.
Na prática, a IA tem sido aplicada principalmente na elaboração de planos de aula (53%), automação de tarefas administrativas (51%), simulação de situações de aprendizado (50%) e preparação de atividades e provas (49%). Esse cenário permite que o professor assuma funções mais estratégicas e foque no acompanhamento personalizado do aluno, objetivo central da política digital espanhola que se alinha aos marcos da Comissão Europeia e da UNESCO. A eficácia dessa abordagem é corroborada pela percepção de mais de 80% dos professores, que acreditam no potencial da IA para aprimorar o aprendizado individualizado.
No plano global, Fengchun Miao, chefe da Unidade de Tecnologia e IA na Educação da UNESCO e autora do "AI Competency Framework for Teachers (2024)", defende que o papel do docente é insubstituível. Para Miao, a IA estabelece uma nova dinâmica triangular entre professor, aluno e tecnologia, onde o risco não reside na substituição do profissional, mas na obsolescência de sistemas educacionais que não capacitem seus professores para liderar essa transição.
Para viabilizar essa aplicação, surgiram soluções de edTech como o IGNITE Copilot, plataforma voltada para professores de língua espanhola com presença em mais de 150 escolas na Espanha e América Latina, somando 24 mil usuários. A ferramenta abrange desde o ensino infantil até a Formação Profissional em diversos níveis na Espanha, adaptando-se também aos currículos de países como Chile, Colômbia, México e Peru. O sistema incorpora princípios de Design Universal para o Aprendizado (DUA), oferecendo suporte a alunos com altas capacidades, necessidades especiais ou contextos linguísticos variados, além de gerar rúbricas de avaliação detalhadas.
O impacto direto dessas ferramentas é a recuperação de tempo docente. Atividades de criação de materiais didáticos, que podem ocupar até 16 horas semanais, são reduzidas a um quinto desse tempo, resultando em uma economia entre seis e quinze horas por semana. Cristóbal Cobo argumenta que essa otimização permite que o professor se dedique ao essencial, eliminando a sobrecarga de tarefas administrativas. Com a maturidade do mercado e a crescente demanda por ferramentas pedagógicas específicas, a transformação do ensino agora depende de estratégias que impulsionem a integração definitiva dessas tecnologias no sistema educacional.