Mundo

OMS analisa uso de vacinas e tratamentos experimentais para conter surto de ebola no Congo

19 de Maio de 2026 às 12:47

A OMS avalia o uso de vacinas e tratamentos experimentais para conter um surto da cepa Bundibugyo do ebola na República Democrática do Congo. A epidemia, concentrada na província de Ituri, registra 435 casos suspeitos e 131 mortes. O governo local intensifica medidas de prevenção e vigilância epidemiológica na região

OMS analisa uso de vacinas e tratamentos experimentais para conter surto de ebola no Congo
JOSPIN MWISHA / AFP

A Organização Mundial da Saúde (OMS) analisa a aplicação de vacinas candidatas e tratamentos experimentais para conter um surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC). A epidemia é causada pela cepa Bundibugyo, que não registrava ocorrências há 14 anos e já resultou em 131 mortes.

O vírus se concentra na província de Ituri, no nordeste do país, região fronteiriça com Uganda. De acordo com o Ministério da Saúde da RDC, há 435 casos suspeitos e 116 mortes prováveis. A propagação ocorre por contato direto com fluidos corporais, como sangue, sêmen e vômito, manifestando-se através de febre, dores musculares, fraqueza, diarreia, vômitos, dores abdominais e sangramentos.

A gravidade do cenário é evidenciada pela infecção de um médico norte-americano após o atendimento a pacientes, o que levou à quarentena de seus familiares e mobilizou governos estrangeiros. A Alemanha aceitou receber e tratar o profissional após solicitação dos Estados Unidos, e a transferência do paciente está em andamento. Outras seis pessoas, possivelmente cidadãos americanos, também devem ser evacuadas da região.

Em resposta ao surto, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos restringiram a entrada de estrangeiros que tenham visitado a RDC, Uganda ou Sudão do Sul nos últimos 21 dias.

No campo científico, o Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica (INRB), em Kinshasa, sequenciou o vírus e confirmou que o surto atual não possui ligação com os registrados em 2007 e 2012. O diretor da instituição, Jean-Jacques Muyembe, explicou que a doença ocorreu por meio de uma nova transmissão de animal para humano. Embora o reservatório animal exato não tenha sido identificado, morcegos são os principais suspeitos devido ao alto consumo desses animais na RDC.

Como não existe vacina ou tratamento homologado especificamente para a cepa Bundibugyo, a estratégia atual consiste em testar imunizantes eficazes contra outras variantes do ebola, como o rVSV-ZEBOV (utilizado contra a cepa Zaire), para verificar a possibilidade de proteção cruzada. A representante da OMS no país, Anne Ancia, informou que um grupo consultivo técnico trabalha na formulação de recomendações sobre a segurança e a logística de aplicação dessas terapias em áreas remotas.

Enquanto as soluções médicas são avaliadas, as autoridades congolesas intensificam as medidas de prevenção. O governo orienta a população a evitar aglomerações e contatos físicos, inclusive durante rituais funerários tradicionais. A vigilância epidemiológica foi ampliada nas zonas de mineração de Mongwalu, ao norte de Bunia, onde a circulação de trabalhadores eleva o risco de disseminação. O controle local enfrenta obstáculos como estradas precárias, dificuldades logísticas e a desconfiança de parte dos habitantes.

Notícias Relacionadas