OMS confirma novo caso de hantavírus em tripulante de navio de cruzeiro
A OMS confirmou a detecção de um novo caso de hantavírus em um tripulante do navio MV Hondius, elevando para 12 o total de registros no surto. A embarcação, de bandeira holandesa, contabiliza três mortes e já retornou ao porto de Roterdã
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A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou, nesta sexta-feira (22), a detecção de um novo caso de hantavírus em um tripulante do navio de cruzeiro MV Hondius. O profissional, que havia desembarcado na ilha espanhola de Tenerife, foi repatriado para os Países Baixos, onde permanece em quarentena.
Com este registro, o total de casos confirmados e suspeitos relacionados ao surto na embarcação chega a 12. Entre as vítimas, três pessoas morreram: uma cidadã alemã e um casal de neerlandeses. O navio de luxo, de bandeira holandesa e operado pela Oceanwide Expeditions, transportava cerca de 150 passageiros e tripulantes originários de 23 países.
O surto foi reportado inicialmente pela OMS em 2 de maio. Após a retenção da embarcação ao largo de Cabo Verde e a intervenção da União Europeia e da OMS, a Espanha autorizou o desembarque de parte dos passageiros nas Ilhas Canárias. O MV Hondius chegou ao porto de Roterdã na segunda-feira (18), com tripulação reduzida e acompanhado por dois profissionais de saúde. Ao desembarcarem, os 27 tripulantes e a equipe médica foram submetidos a regime de quarentena.
O foco da infecção é a cepa Andes do hantavírus, variante que circula há décadas na Patagônia chilena e argentina. O vírus é transmitido originalmente pelo rato-de-cauda-longa (*Oligoryzomys longicaudatus*), ocorrendo o contágio humano através do contato com a urina, fezes ou saliva do roedor, especialmente em locais fechados.
A propagação do vírus na região da Patagônia pode estar vinculada a fatores ambientais. Chuvas intensas causadas pelo El Niño aumentam a vegetação e a oferta de alimentos, o que amplia a população de roedores e, consequentemente, as chances de contato com trabalhadores rurais. Em contrapartida, secas e incêndios típicos do verão regional reduzem a quantidade desses animais.
O surto no MV Hondius, porém, destaca a capacidade excepcional da cepa Andes de ser transmitida entre seres humanos, característica observada ocasionalmente na região e em surtos anteriores na Patagônia, ocorridos em 1996 e 2018. A transmissão interpessoal não é a regra e exige contato próximo, a menos de um metro, por pelo menos trinta minutos, sendo consideravelmente menos transmissível que a gripe ou a covid-19.
Cientistas descartam que mutações recentes tenham tornado o vírus transmissível entre pessoas, classificando a cepa Andes como estável e evolutivamente ligada ao seu hospedeiro. Embora a propriedade de transmissão humana seja considerada intrínseca ao vírus, a ciência ainda busca compreender por que, em certas ocasiões, a infecção inicial gera cadeias de transmissão em vez de casos isolados.