Mundo

OMS declara emergência de saúde pública após avanço de variante rara de Ebola na África

19 de Maio de 2026 às 15:18

A OMS declarou emergência de saúde pública internacional devido a um surto do vírus Ebola, variante Bundibugyo, na República Democrática do Congo e Uganda. No Congo, há 513 casos suspeitos e 131 mortes, enquanto Uganda registrou casos e um óbito. A organização enviou 18 toneladas de suprimentos para a região

OMS declara emergência de saúde pública após avanço de variante rara de Ebola na África
Jefferson Kahinju/REUTERS

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou emergência de saúde pública de interesse internacional após o avanço acelerado de um surto de Ebola no leste da República Democrática do Congo (RDC), com a propagação da doença para a vizinha Uganda. A epidemia é causada pelo vírus Bundibugyo, uma variante rara da doença, para a qual não existem vacinas ou tratamentos aprovados.

No Congo, o Ministério da Saúde registrou 513 casos suspeitos e 131 mortes. O volume de infectados apresentou um salto expressivo em relação ao balanço do dia anterior, que contabilizava cerca de 300 suspeitas. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, manifestou profunda preocupação com a velocidade e a escala da transmissão. A autoridade sanitária global aponta que a circulação intensa de pessoas na região, a ocorrência de casos em centros urbanos e o óbito de profissionais de saúde são fatores críticos de risco.

A resposta sanitária foi comprometida por falhas iniciais no diagnóstico. A primeira morte ocorreu em 24 de abril, em Bunia, mas o corpo foi transportado para Mongbwalu, zona de mineração com alta mobilidade populacional, o que facilitou a disseminação. Como os testes iniciais buscaram a cepa Zaire — a mais comum do Ebola — e resultaram em falso negativo, a possibilidade de um surto foi descartada pelas autoridades locais. A confirmação oficial aconteceu apenas em 14 de maio, após a OMS ser notificada sobre dezenas de mortes em Mongbwalu, incluindo quatro profissionais de saúde.

Atualmente, a OMS enfrenta dificuldades logísticas e financeiras. A capacidade de testagem para a cepa Bundibugyo é limitada a seis exames por hora, o que atrasa a contenção. Para mitigar a crise, a organização enviou 12 toneladas de suprimentos, com a chegada de outras seis toneladas nesta terça-feira (19), incluindo amostras e equipamentos de proteção individual.

Em Uganda, as autoridades emitiram alerta máximo após a confirmação de casos e uma morte. A população é orientada a relatar sintomas precocemente, evitar contato com suspeitos e obedecer a eventuais quarentenas, medida considerada crucial para interromper a transmissão via fluidos corporais. O impacto psicológico do vírus é evidenciado pelo relato de Nalubowa Sumayah, de 34 anos, sobrevivente de um surto anterior em 2022 no distrito de Mubende. Sumayah descreve a experiência como mortal e dolorosa, lembrando-se de ter perdido a consciência por dias durante o tratamento hospitalar.

Diante do cenário, o Departamento de Estado dos EUA recomendou que cidadãos americanos não viajem para Uganda, Sudão do Sul ou República Democrática do Congo, além de sugerir a reavaliação de viagens ao Ruanda.

O Ebola caracteriza-se por ser uma doença viral grave e frequentemente fatal, transmitida pelo contato com sangue, sêmen, vômito e outros fluidos corporais. O quadro clínico envolve febre, fraqueza, dores musculares e abdominais, diarreia, vômitos e sangramentos. Historicamente, a propagação em grandes surtos foi intensificada por cuidados domiciliares a parentes doentes e pela realização de rituais funerários com toque direto nos corpos das vítimas.

Notícias Relacionadas