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OMS declara emergência de saúde pública por surto de variante rara de ebola no Congo

19 de Maio de 2026 às 09:36

A OMS declarou emergência de saúde pública internacional por um surto do vírus Bundibugyo na República Democrática do Congo. O Ministério da Saúde local registrou 513 casos suspeitos e 131 mortes, com a propagação atingindo cinco cidades e Uganda. Não existem vacinas ou tratamentos aprovados para essa variante do ebola

OMS declara emergência de saúde pública por surto de variante rara de ebola no Congo
Victoire Mukenge/Reuters

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou emergência de saúde pública de interesse internacional devido ao avanço acelerado de um surto de ebola no leste da República Democrática do Congo. O diretor-geral da agência, Tedros Adhanom Ghebreyesus, manifestou profunda preocupação com a velocidade e a escala da epidemia, que levou a convocação de uma reunião emergencial do comitê de crise da organização.

O cenário epidemiológico apresenta um crescimento abrupto: o Ministério da Saúde congolês registrou 513 casos suspeitos e 131 mortes, um salto significativo em comparação aos 300 casos reportados no dia anterior. Parte dos óbitos ainda passa por investigação para confirmação do vínculo com o vírus. A gravidade é intensificada pelo fato de o surto ser causado pelo vírus Bundibugyo, uma variante rara para a qual não existem vacinas ou tratamentos aprovados.

A disseminação da doença foi favorecida por falhas na detecção precoce. O vírus circulou sem identificação por semanas, e a resposta sanitária foi retardada porque os testes iniciais deram resultado falso negativo para a variante Zaire, a mais comum da doença. A confirmação oficial ocorreu apenas em 14 de maio, após a OMS ser alertada sobre mortes em Mongbwalu, incluindo quatro profissionais de saúde.

O rastreamento dos fatos indica que a primeira morte ocorreu em 24 de abril, em Bunia. O transporte do corpo da vítima para Mongbwalu, zona de mineração com alta circulação de pessoas, é apontado como um fator determinante para a propagação. Atualmente, a doença atinge as cidades de Bunia, Goma, Butembo, Mongbwalu e Nyakunde. A crise já ultrapassou as fronteiras congolesas, com Uganda registrando um caso e uma morte de viajantes vindos do Congo. Entre os infectados em Bunia está um médico americano que atuava em um hospital local.

A OMS monitora com rigor a presença do vírus em áreas urbanas e a morte de profissionais de saúde, somadas à intensa mobilidade populacional na região. O ebola é uma patologia viral grave e frequentemente letal, transmitida pelo contato com fluidos corporais como sangue, sêmen e vômito. O quadro clínico envolve febre, dores musculares, fraqueza, diarreia, vômitos, dores abdominais e sangramentos. Historicamente, a transmissão é potencializada pelo cuidado a parentes doentes ou rituais funerários com contato direto com os corpos.

A crise sanitária ocorre em um contexto de instabilidade humanitária no leste do Congo, região marcada por conflitos de grupos armados e deslocamentos forçados. Somente na província de Ituri, a ONU contabiliza mais de 273 mil deslocados internos. O temor da população é evidenciado em Bunia, onde moradores voltaram a confeccionar máscaras de proteção artesanais para tentar evitar o contágio.

Com informações de G1

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