OMS declara estado de emergência por avanço de cepa de Ebola no Congo e Uganda
A OMS declarou estado de emergência pelo avanço da cepa Bundibugyo do Ebola na República Democrática do Congo e em Uganda. O cenário registra 51 casos confirmados no Congo, dois em Kampala e 139 mortes. Não existem vacinas ou tratamentos aprovados para esta variante específica
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/j/w/BizD9GRwmuPvAfJHGzow/globo-canal-4-20260519-2000-frame-80652.jpeg)
A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou estado de emergência diante do avanço da cepa Bundibugyo do vírus Ebola na República Democrática do Congo e em Uganda. A medida, adotada pelo diretor-geral Tedros Adhanom Ghebreyesus, ocorreu sem consulta prévia a especialistas devido à urgência do cenário. Embora um Comitê de Emergência reunido em Genebra tenha classificado a situação como uma emergência de saúde pública de interesse internacional, a agência descartou a configuração de uma pandemia, avaliando que o risco de propagação é alto nos âmbitos regional e nacional, mas baixo em escala global.
Até o momento, a República Democrática do Congo contabiliza 51 casos confirmados, concentrados nas províncias de Kivu do Norte e Ituri. Em Uganda, a capital Kampala registrou dois casos confirmados. O balanço geral aponta ainda 139 mortes e quase 600 casos suspeitos, com a expectativa de que esses números cresçam, já que a dimensão real da epidemia pode superar os dados oficiais.
A velocidade de disseminação da variante Bundibugyo no leste do Congo preocupa a OMS, especialmente porque o vírus circulou por semanas sem detecção. O atraso no diagnóstico ocorreu porque as autoridades locais testavam a população para a cepa mais comum do Ebola, o que resultava em exames negativos.
Atualmente, não há tratamentos ou vacinas aprovados para essa variante específica. Como alternativa, o governo do Congo aguarda o envio de doses de uma vacina experimental, desenvolvida pela Universidade de Oxford e fornecida por Estados Unidos e Reino Unido. O protocolo prevê a aplicação do imunizante seguida da observação de quem desenvolve a doença, embora a eficácia dessa estratégia demande tempo para ser comprovada.
O Ebola é caracterizado por ser altamente contagioso, transmitido via fluidos corporais como sêmen, vômito e sangue. A doença provoca febre, fraqueza, dores musculares e de cabeça, além de diarreia, vômitos, dores abdominais e sangramentos inexplicáveis. O histórico da enfermidade inclui um surto ocorrido há pouco mais de dez anos que resultou em mais de 11 mil mortes, muitas delas causadas pelo contato com corpos durante rituais funerários.