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OMS eleva nível de risco de surto de variante rara de Ebola no Congo

23 de Maio de 2026 às 15:04

A Organização Mundial da Saúde elevou para "muito alto" o risco do surto da variante Bundibugyo do Ebola na República Democrática do Congo, com 82 casos e sete mortes confirmados. Ataques a centros de tratamento em Mongbwalu e Rwampara causaram a fuga de pacientes e a destruição de instalações. A província de Ituri proibiu velórios e reuniões com mais de 50 pessoas para conter a propagação do vírus

OMS eleva nível de risco de surto de variante rara de Ebola no Congo
AP/Moses Sawasawa

A República Democrática do Congo enfrenta a escalada de um surto da variante Bundibugyo do vírus Ebola, caracterizada por ser uma cepa rara e sem vacina aprovada. A gravidade da situação levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a elevar o nível de risco do surto no país de "alto" para "muito alto", embora a entidade considere baixa a probabilidade de disseminação global da doença.

A crise sanitária é agravada por ataques a centros de tratamento no leste do país. Na noite de sexta-feira (22), homens não identificados incendiaram uma tenda de atendimento da organização Médicos Sem Fronteiras na cidade de Mongbwalu, epicentro do surto. O incidente provocou a fuga de 18 pacientes com suspeita de infecção, que desapareceram na comunidade. O episódio ocorreu apenas um dia após um ataque semelhante em Rwampara, onde um centro de saúde foi queimado após familiares serem impedidos de retirar o corpo de um paciente.

A tensão entre as equipes de saúde e a população local centra-se nos rituais funerários. Como os corpos de vítimas de Ebola permanecem contagiosos, as autoridades restringem velórios tradicionais e impõem sepultamentos controlados. No sábado (23), enterros em Rwampara exigiram forte esquema de segurança devido à resistência de jovens e moradores, conforme relatado por David Basima, líder da equipe de sepultamentos. Para tentar conter a propagação do vírus, a província de Ituri proibiu, na sexta-feira (22), a realização de velórios e reuniões com mais de 50 pessoas.

O cenário epidemiológico é complexo devido à dificuldade de diagnóstico inicial. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, confirmou 82 casos e sete mortes, mas alertou que os números reais podem ser superiores, já que a variante Bundibugyo circulou por semanas sem detecção, pois os pacientes testavam negativo para a cepa Zaire, a mais comum. Atualmente, as autoridades monitoram 750 casos suspeitos e 177 mortes suspeitas, aguardando confirmação laboratorial.

A Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho informou que três voluntários morreram em Mongbwalu após contraírem o vírus durante a remoção de corpos em março. Esse dado sugere que a circulação do patógeno começou antes da primeira morte oficial, registrada no fim de abril em Bunia, capital de Ituri. Diante desse contexto, Jean Kaseya, diretora-geral do Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças, destacou que a superação do surto depende da reconstrução da confiança entre as comunidades locais e as autoridades sanitárias.

Com informações de G1

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