OMS eleva para nível máximo o risco da epidemia de Ebola na República Democrática do Congo
A OMS classificou como "muito alto" o risco da epidemia de Ebola na República Democrática do Congo, declarando emergência de saúde pública internacional em 16 de maio de 2026. O surto da cepa Bundibugyo, que também atinge a Uganda, registra 744 casos suspeitos, 83 confirmações e 176 mortes suspeitas até 22 de maio
A Organização Mundial da Saúde (OMS) elevou para "muito alto" o nível de risco da epidemia de Ebola na República Democrática do Congo (RDC), patamar máximo de alerta. Em 16 de maio de 2026, o diretor-geral da entidade classificou a situação como uma emergência de saúde pública de importância internacional.
O cenário é agravado pela letalidade da cepa Bundibugyo, identificada via impressões digitais genéticas, para a qual não existem tratamento terapêutico específico ou vacina licenciada. Embora o vírus cause febre hemorrágica e tenha sido responsável por mais de 15 mil óbitos na África nas últimas cinco décadas, ele apresenta menor contagiosidade do que o sarampo ou a Covid-19.
A gravidade do surto, que também atinge a Uganda, resultou na morte de três voluntários da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (IFRC): Alikana Udumusi Augustin, Sezabo Katanabo e Ajiko Chandiru Viviane. As vítimas contraíram o vírus em 27 de março, durante o manejo de corpos em uma missão humanitária anterior à identificação da crise sanitária, vindo a falecer entre 5 e 16 de maio.
Dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, baseados em relatórios dos Ministérios da Saúde da RDC e de Uganda, indicam 744 casos suspeitos, 83 confirmações e 176 mortes suspeitas até 22 de maio. Entre os óbitos registrados na RDC, estão ao menos quatro profissionais de saúde.
O combate à propagação da doença depende de cuidados de suporte e isolamento precoce, mas a operação enfrenta barreiras logísticas e sociais. Conflitos armados nas províncias atingidas e deslocamentos forçados de populações prejudicam a vigilância sanitária e o transporte de amostras laboratoriais. Além disso, a porosidade das fronteiras e a alta mobilidade dos habitantes elevam o risco de expansão do vírus para outros países vizinhos.
Para conter o avanço da epidemia, agências internacionais e o CDC colaboram com gestores locais no rastreamento de contatos e no reforço da segurança em portos de entrada, com a implementação de triagens e restrições para viajantes. A IFRC e a Cruz Vermelha da RDC mantêm o apoio às comunidades vulneráveis, reiterando a atuação de seus voluntários em áreas de alto risco.