OMS pede cessar-fogo na República Democrática do Congo para conter surto de ebola
A OMS pediu um cessar-fogo imediato no leste da República Democrática do Congo para conter um surto da variante Bundibugyo do ebola. A região registra mais de 900 casos e 200 mortes suspeitas, com a resposta sanitária prejudicada por conflitos armados e falta de insumos
A Organização Mundial da Saúde (OMS) solicitou a implementação de um cessar-fogo imediato no leste da República Democrática do Congo para frear a propagação de um surto de ebola. A medida é vista como essencial para viabilizar a resposta sanitária na província de Ituri, onde a progressão da doença supera a capacidade de contenção devido aos conflitos armados e ao deslocamento massivo de populações.
O cenário é agravado pela circulação da variante Bundibugyo, classificada como emergência internacional no início do mês por não possuir vacina ou tratamento aprovados. Atualmente, três províncias do leste do país registram mais de 900 casos suspeitos e mais de 200 mortes suspeitas. Entre as áreas afetadas estão Kivu do Sul, sob domínio da aliança rebelde Alliance Fleuve Congo, e Kivu do Norte, região controlada pelo grupo M23, que conta com apoio de Ruanda.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, que planeja visitar a região ainda esta semana, destacou a impossibilidade de isolar pacientes e conquistar a confiança dos moradores enquanto bombardeios persistem. Paralelamente, a ONG Save the Children alertou que crianças correspondem a 25% das mortes confirmadas, demandando a intensificação das medidas preventivas.
A crise humanitária se estende além das fronteiras congolesas. Com milhões de deslocados, a agência da ONU para refugiados reportou que os centros de recepção em West Nile, em Uganda, operam com mais do que o dobro de sua capacidade total, apesar de tentativas de mediação conduzidas pelos Estados Unidos e outras nações.
No terreno, a operação de equipes e equipamentos humanitários é prejudicada por ataques a profissionais de saúde, motivados pela desconfiança local. A situação financeira também é instável: embora doadores tenham prometido US$ 500 milhões para o combate ao vírus, autoridades de saúde informam que nem todo o montante foi liberado.
A escassez de insumos básicos é crítica em unidades de saúde. Em Butembo, na província de Kivu do Norte — onde sete casos resultaram em seis mortes —, hospitais relatam a falta de sabão, cloro e equipamentos de proteção individual, como máscaras, luvas, botas e macacões. A precariedade chega ao ponto de haver apenas dois sacos mortuários disponíveis em certa unidade, forçando profissionais a utilizarem recursos próprios para a preparação de corpos. Esse desabastecimento é atribuído, em parte, a cortes em auxílios internacionais destinados a ONGs locais e estrangeiras.