Mundo

Onda de calor na Europa força a França a interromper a operação de reatores nucleares

26 de Junho de 2026 às 12:24

A estatal EDF interrompeu reatores nucleares e reduziu a produção de energia na França devido a uma onda de calor que atingiu 46 °C. A medida visa evitar danos à vida aquática nos rios Sena, Ródano e Garona. A operadora RTE informou que a geração elétrica segue suficiente para a demanda nacional

Onda de calor na Europa força a França a interromper a operação de reatores nucleares
La central nuclear de Cattenom en Francia

A onda de calor que atinge a Europa, com termômetros chegando aos 46 °C em certas regiões, forçou a companhia estatal EDF a interromper a operação de reatores nucleares e a reduzir a produção de energia na França. A medida é necessária para cumprir normas ambientais, já que a alta temperatura dos rios impede que a água utilizada no resfriamento das usinas seja devolvida aos ecossistemas fluviais sem causar danos à vida aquática.

A paralisação preventiva atingiu dois reatores nas usinas de Nogent-sur-Seine, ao norte de Paris, e Bugey, próxima a Lyon, devido ao aquecimento do Sena e do Ródano. Em Nogent-sur-Seine, a produção de um dos reatores já havia sido ajustada anteriormente para limitar a diferença térmica entre a água captada e a devolvida ao rio. Além dessas unidades, um reator em Golfech, no rio Garona, foi desligado, enquanto outras usinas da frota nuclear francesa operaram com capacidade reduzida.

O episódio evidencia a dependência da matriz energética francesa em relação à disponibilidade e temperatura da água, considerando que a energia nuclear representou cerca de 70% da geração elétrica do país no ano passado, por meio de uma rede de 57 reatores. Apesar das interrupções, a operadora RTE afirmou na última quarta-feira que a capacidade de geração permanece suficiente para suprir a demanda elétrica nacional.

Paralelamente ao impacto energético, a crise climática afeta a saúde pública e a infraestrutura. O Météo-France registrou que a terça-feira, 23 de junho, foi o dia mais quente desde o início das medições em 1947. Desde 18 de junho, foram contabilizadas ao menos 18 mortes relacionadas ao calor e 40 afogamentos. Mais da metade dos 96 departamentos da França entraram em alerta vermelho, com recomendações governamentais para evitar a exposição solar e manter vigilância extrema.

O cenário de temperaturas extremas se estende a Alemanha, Espanha, Portugal e Suíça, resultando no fechamento de escolas, antecipação de horários estudantis e redução de serviços ferroviários em cidades como Bruxelas e Paris para prevenir falhas técnicas. Esta é a terceira onda de calor no continente este ano, em um contexto onde algumas áreas europeias enfrentam até 40 dias a mais de estresse térmico extremo do que na década de 1970.

Notícias Relacionadas