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Ondas de calor na Europa provocam aumento de mortes por afogamento em rios e canais

24 de Junho de 2026 às 12:05

Ondas de calor na Europa causaram mortes por afogamento na França, Alemanha e Reino Unido. As vítimas buscaram refúgio em rios, lagos e canais, resultando em 40 óbitos na França, seis na Alemanha e nove no Reino Unido. Autoridades alertam para os riscos de nadar em locais não supervisionados e o perigo do choque térmico

Ondas de calor na Europa provocam aumento de mortes por afogamento em rios e canais
Getty Images / BBC

A Europa enfrenta uma crise de segurança aquática provocada por recordes de temperatura em países como Reino Unido, Suíça, Espanha e Itália. O fenômeno é causado por um "domo de calor", massa de ar quente vinda do Saara que ficou estagnada sobre o continente. Na França, onde mais da metade das regiões estão em alerta meteorológico máximo e centenas de escolas foram fechadas, 40 pessoas morreram afogadas desde a semana passada ao buscarem refúgio em rios e canais.

A ministra do Esporte da França, Marina Ferrari, alertou para a gravidade de nadar em locais não supervisionados e proibidos. Entre as vítimas fatais francesas está uma menina de 13 anos que não sabia nadar e morreu no rio Sena, em Fontaine-La-Port. Em Lyon, quatro jovens precisaram de resgate em um trecho proibido do rio Ródano, resultando na internação em estado grave de um jogador de futebol profissional.

A Alemanha também registrou mortes por afogamento, com a previsão de que as temperaturas cheguem a 40°C no oeste e sudoeste do país até o fim da semana. A Associação Alemã de Salvamento Aquático (DLRG) relatou seis óbitos entre sexta-feira e domingo, observando que homens tendem a superestimar a própria capacidade na água. No sudoeste alemão, três corpos de homens com idades entre 23 e 50 anos foram localizados no rio Reno após dias de desaparecimento.

No Reino Unido, nove pessoas morreram em lagos e rios durante uma onda de calor no final do mês passado. A Royal National Lifeboat Institution (RNLI) e a Royal Life Saving Society alertam que a falta de experiência em águas abertas e o choque térmico são fatores determinantes para as fatalidades. Steve Cavallo, da RNLI, explica que reservatórios e antigas pedreiras industriais podem conter objetos submersos que prendem os nadadores.

Ashley Jones, da Royal Life Saving Society, detalha que a água não aquece na mesma velocidade que o ar. Mergulhos bruscos podem causar uma inspiração involuntária e acelerar a frequência cardíaca, levando ao pânico e ao afogamento. Georgia Beardmore, da Royal Society for the Prevention of Accidents, reforça que águas interiores apresentam riscos distintos das praias e são frequentemente subestimadas pela população.

As autoridades britânicas também alertam para o perigo de tentativas de resgate amadoras. Em maio, um homem de 60 anos sofreu uma parada cardíaca na praia de Tregirls ao tentar ajudar familiares. Andrew Black, voluntário da York Rescue Boat, recomenda a técnica de "alcançar e lançar", utilizando galhos ou toalhas para resgatar a vítima sem entrar na água.

Para quem cai em águas abertas, a orientação é manter a calma, inclinar a cabeça para trás e flutuar de costas com as orelhas submersas. Controlar a respiração e movimentar braços e pernas lentamente ajuda o corpo a se adaptar à temperatura da água e permite que a pessoa aguarde o socorro ou nade até a margem.

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