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ONU estima que mais de 50 mil pessoas estejam desaparecidas após terremotos na Venezuela

26 de Junho de 2026 às 18:07

Dois terremotos atingiram o norte da Venezuela na quarta-feira (24), deixando 920 mortos e quase 3 mil feridos. A ONU estima que mais de 50 mil pessoas estejam desaparecidas sob os escombros de prédios desabados

ONU estima que mais de 50 mil pessoas estejam desaparecidas após terremotos na Venezuela
Leonardo Fernandez Viloria / Reuters

Dois terremotos sucessivos atingiram a região norte da Venezuela, incluindo a capital Caracas, na noite de quarta-feira (24), registrando os sismos mais fortes no país em mais de um século. O rastro de destruição resultou no desabamento de prédios e, conforme o balanço atualizado na tarde desta sexta-feira (26), o número de mortos subiu para 920, com quase 3 mil feridos.

A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que mais de 50 mil pessoas estejam desaparecidas e possivelmente presas sob os escombros, volume significativamente superior aos 200 casos mencionados pelo governo venezuelano na quinta-feira (25).

A probabilidade de resgates bem-sucedidos diminui drasticamente com o passar do tempo. A chance de encontrar sobreviventes cai para cerca de 5% após sete dias do desastre. Embora a maioria dos salvamentos ocorra nas primeiras 24 horas, a sobrevivência prolongada depende de variáveis como a aptidão física da vítima, o clima, as condições meteorológicas, o acesso a ar e água, além da posição do corpo no momento do colapso.

Crianças e bebês apresentam maiores chances de serem encontrados vivos devido ao tamanho reduzido, que facilita a acomodação em pequenos bolsões de ar. Adultos, por outro lado, têm maior probabilidade de ficarem presos, embora indivíduos com maior instinto de sobrevivência e raciocínio preparado possam ter chances naturais elevadas.

A manutenção da vida em condições adversas é severamente comprometida pela falta de oxigênio, alimento e, principalmente, água. A hidratação é vital para a circulação, regulação térmica e funcionamento dos órgãos; sem ela, o corpo entra em desidratação grave até cessar suas funções. Esse cenário é agravado nas áreas atingidas pelos tremores, que registram temperaturas em torno de 27ºC desde quarta-feira, acelerando a perda de água do organismo através do suor e da respiração.

Quanto à alimentação, o corpo humano consegue sobreviver por algum tempo sem comida, consumindo primeiro as reservas de glicose do fígado e, posteriormente, transformando gorduras em corpos cetônicos para alimentar o cérebro. Esse processo de autoconsumo, que retira proteínas dos músculos, gera perda de massa muscular, fraqueza, anemia e maior vulnerabilidade a infecções.

Para recém-nascidos e bebês, a privação alimentar é mais crítica. Devido ao baixo estoque de glicogênio e ao menor volume estomacal, essas crianças possuem menor reserva energética e maior gasto metabólico. No caso de recém-nascidos, a digestão rápida do leite materno exige alimentação a cada duas ou quatro horas para garantir a nutrição e o crescimento, tornando a escassez de alimento um fator de estresse imediato e grave.

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