ONU estima que mais de 50 mil pessoas estejam desaparecidas após terremotos na Venezuela
Dois terremotos atingiram o norte da Venezuela na quarta-feira (24), deixando 920 mortos e quase 3 mil feridos. A ONU estima que mais de 50 mil pessoas estejam desaparecidas sob os escombros de prédios desabados
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Dois terremotos sucessivos atingiram a região norte da Venezuela, incluindo a capital Caracas, na noite de quarta-feira (24), registrando os sismos mais fortes no país em mais de um século. O rastro de destruição resultou no desabamento de prédios e, conforme o balanço atualizado na tarde desta sexta-feira (26), o número de mortos subiu para 920, com quase 3 mil feridos.
A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que mais de 50 mil pessoas estejam desaparecidas e possivelmente presas sob os escombros, volume significativamente superior aos 200 casos mencionados pelo governo venezuelano na quinta-feira (25).
A probabilidade de resgates bem-sucedidos diminui drasticamente com o passar do tempo. A chance de encontrar sobreviventes cai para cerca de 5% após sete dias do desastre. Embora a maioria dos salvamentos ocorra nas primeiras 24 horas, a sobrevivência prolongada depende de variáveis como a aptidão física da vítima, o clima, as condições meteorológicas, o acesso a ar e água, além da posição do corpo no momento do colapso.
Crianças e bebês apresentam maiores chances de serem encontrados vivos devido ao tamanho reduzido, que facilita a acomodação em pequenos bolsões de ar. Adultos, por outro lado, têm maior probabilidade de ficarem presos, embora indivíduos com maior instinto de sobrevivência e raciocínio preparado possam ter chances naturais elevadas.
A manutenção da vida em condições adversas é severamente comprometida pela falta de oxigênio, alimento e, principalmente, água. A hidratação é vital para a circulação, regulação térmica e funcionamento dos órgãos; sem ela, o corpo entra em desidratação grave até cessar suas funções. Esse cenário é agravado nas áreas atingidas pelos tremores, que registram temperaturas em torno de 27ºC desde quarta-feira, acelerando a perda de água do organismo através do suor e da respiração.
Quanto à alimentação, o corpo humano consegue sobreviver por algum tempo sem comida, consumindo primeiro as reservas de glicose do fígado e, posteriormente, transformando gorduras em corpos cetônicos para alimentar o cérebro. Esse processo de autoconsumo, que retira proteínas dos músculos, gera perda de massa muscular, fraqueza, anemia e maior vulnerabilidade a infecções.
Para recém-nascidos e bebês, a privação alimentar é mais crítica. Devido ao baixo estoque de glicogênio e ao menor volume estomacal, essas crianças possuem menor reserva energética e maior gasto metabólico. No caso de recém-nascidos, a digestão rápida do leite materno exige alimentação a cada duas ou quatro horas para garantir a nutrição e o crescimento, tornando a escassez de alimento um fator de estresse imediato e grave.