ONU solicita 50 milhões de dólares para combater a fome na Venezuela após terremotos
Dois terremotos na Venezuela deixaram 1.943 mortos e cerca de 50 mil desaparecidos, com prejuízos materiais de 6,7 bilhões de dólares. A ONU solicita 50 milhões de dólares para combater a fome de 500 mil pessoas, enquanto a OMS alerta para riscos de epidemias. Operações de resgate seguem com apoio de 27 países em regiões como La Guaira
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A Venezuela enfrenta uma grave crise humanitária após dois terremotos de magnitude 7,2 e 7,5, ocorridos em 24 de junho, que figuram entre os sismos mais violentos da história da América Latina. O balanço oficial de mortos subiu para 1.943 pessoas, enquanto a Organização das Nações Unidas (ONU) estima que cerca de 50 mil indivíduos estejam desaparecidos.
No estado de La Guaira, a região mais atingida, o colapso dos serviços básicos e a escassez generalizada de alimentos geram conflitos violentos entre sobreviventes em pontos de distribuição de provisões. A situação é agravada por um cenário de desabrigo massivo: enquanto o governo contabiliza 16 mil pessoas sem teto, a ONU estima que esse número chegue a sete milhões.
Para mitigar a fome de aproximadamente 500 mil pessoas nos próximos três meses, o Programa Mundial de Alimentos da ONU solicitou 50 milhões de dólares à comunidade internacional. O alerta é urgente, pois a agência já estimava que quase 8 milhões de venezuelanos necessitavam de assistência humanitária antes mesmo da catástrofe. Paralelamente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou para o risco iminente de epidemias de coqueluche, difteria e sarampo devido à pressão extrema sobre o sistema de saúde.
As operações de resgate seguem em curso com o apoio de 27 países, que mobilizaram 40 equipes, 2 mil profissionais e 160 cães de busca. Entre os resgates recentes, destacam-se a recuperação de um menino de três anos por socorristas jordanianos e a sobrevivência de Andrea Canónico, que permaneceu 48 horas sob seis metros de escombros em Los Corales. Em Catia La Mar, equipes americanas realizaram buscas em conjuntos residenciais, embora nem sempre tenham encontrado sinais de vida.
A infraestrutura do país sofreu danos severos. A Nasa calculou a destruição ou avaria de 58 mil edifícios, e a ONU avalia o prejuízo material em 6,7 bilhões de dólares, montante que representa 6% do Produto Interno Bruto (PIB) da Venezuela. Para agilizar a chegada de ajuda, marines americanos reativaram o principal aeroporto do país e o porto de La Guaira.
Apesar da assistência internacional, o governo venezuelano militarizou a região de La Guaira, restringindo o acesso à área do desastre mediante autorização. Sobre os desaparecidos, as autoridades informaram que, das 30 mil pessoas que estavam em La Guaira no momento dos tremores, 6.461 foram resgatadas e mais de 13 mil saíram por conta própria ou com ajuda de terceiros, permanecendo a situação incerta para o restante da população.