Países europeus investem 3 bilhões de euros para reduzir a dependência de insumos militares chineses
Países europeus e nações do G7 acordaram a redução da dependência de minerais e insumos chineses para a produção de armamentos. O Plano de Ação RESourceEU destinará até 3 bilhões de euros para diversificar fornecedores e desenvolver extração local. A meta é baixar a dependência de terras raras e ímãs permanentes para menos de 60% até 2030
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Países europeus buscam reduzir a dependência de insumos chineses para a modernização de seus arsenais militares, embora a escala do domínio de Pequim torne a transição lenta. Durante a cúpula do G7 em Evian-les-Bains, na França, as nações ocidentais acordaram a proteção da importação de minerais estratégicos, admitindo que a fabricação de armamentos avançados está fortemente vinculada a fábricas da China.
A vulnerabilidade do continente é evidenciada pelo controle chinês sobre materiais essenciais: mais de 90% do gálio e das terras raras mundiais provêm do país, elementos indispensáveis para radares, sistemas de propulsão e mísseis. A China também domina 80% da produção de peças para drones e 70% do fornecimento de algodão, matéria-prima da nitrocelulose usada em projéteis de artilharia.
A complexidade do cenário reside no fato de que a China controla entre 85% e 90% do processamento de minerais brutos em produtos tecnológicos. Por isso, uma ruptura abrupta é inviável, exigindo uma reconstrução gradual das cadeias de suprimentos. O risco é ilustrado por medidas recentes do governo de Xi Jinping, que suspendeu a exportação de terras raras e ímãs para os Estados Unidos. A dependência é profunda: a construção de um submarino da classe Virginia demanda cerca de 4.100 kg de terras raras chinesas, enquanto um único míssil F-35 requer mais de 400 kg desses materiais.
Para mitigar esse risco, o acordo firmado na França estabeleceu a meta de reduzir a dependência de fornecedores chineses em terras raras e ímãs permanentes para menos de 60% até 2030, com a ambição de chegar a 50% a longo prazo. Como resposta institucional, foi criado o Plano de Ação RESourceEU, que prevê a mobilização de até 3 bilhões de euros para desenvolver fontes de matérias-primas em solo europeu ou em países aliados.
Essa urgência refletiu-se na feira de defesa Eurosatory, em Paris, com recorde de público e forte presença de empresas alemãs e de tecnologia de drones ucranianas. Paralelamente, governos europeus passaram a exigir a produção local de equipamentos bélicos. Exemplos disso são a colaboração entre a francesa Thales Group e a Polônia para a fabricação de foguetes de 70 milímetros, além de parcerias com empresas da Coreia do Sul, como a Hanwha Aerospace, para a integração de mísseis em plataformas de lançamento do continente.
A estratégia de substituição da China envolve a criação de uma nova arquitetura comercial. Isso inclui a cooperação tecnológica com Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul, além da diversificação de minas na Ásia e a expansão da extração em países como Canadá e Austrália.
Embora a OTAN tenha conseguido romper vínculos armamentistas com a Rússia após a invasão da Ucrânia em 2022, a dependência de microeletrônica e minerais críticos é mais profunda. A Europa reconhece que a transição será complexa e que, na próxima década, a nova geração de radares e mísseis continuará dependendo de componentes chineses.