Papa emérito Bento XVI falece aos 95 anos no Vaticano
O papa emérito Bento XVI morreu aos 95 anos neste sábado (31), no Vaticano. O corpo ficará na Basílica de São Pedro a partir de segunda-feira (2), com funeral presidido pelo Papa Francisco na quinta-feira (5)

O papa emérito Bento XVI faleceu neste sábado (31), aos 95 anos, no Mosteiro Mater Ecclesiae, localizado no Vaticano. A morte ocorreu às 9h34 (horário local), após a Santa Sé ter alertado, no dia 28 de dezembro, sobre a deterioração de seu quadro clínico devido à idade avançada. O anúncio oficial foi feito por Matteo Bruni, diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé.
O corpo do pontífice permanecerá na Basílica de São Pedro a partir de segunda-feira (2). A cerimônia fúnebre será realizada na quinta-feira (5), às 9h30, na Praça São Pedro, sob a presidência do Papa Francisco.
Nascido em 16 de abril de 1927, em Marktl am Inn, na Baviera, Alemanha, Joseph Ratzinger formou-se em filosofia e teologia entre 1946 e 1951 pela Universidade de Munique e pela Escola Superior de Filosofia e Teologia de Frisinga. Sua trajetória eclesiástica incluiu a ordenação sacerdotal em 1951, a nomeação como cardeal em 1977 e a chefia da Congregação Para a Doutrina da Fé, assumida em 1981.
Eleito em 19 de abril de 2005 para suceder João Paulo II, Bento XVI tornou-se o 265º sucessor do apóstolo Pedro. Seu pontificado durou oito anos, encerrando-se com uma decisão histórica em 10 de fevereiro de 2013, quando publicou sua renúncia. Ao abdicar do cargo, Ratzinger justificou que a idade avançada havia reduzido seu vigor físico e espiritual, tornando-o incapaz de administrar adequadamente o ministério petrino diante das rápidas mudanças do mundo contemporâneo. O gesto foi a primeira renúncia papal em 597 anos.
Paralelamente ao anúncio da saída, reportagens do jornal italiano La Repubblica indicaram que a decisão teria sido motivada por um relatório de 300 páginas sobre o escândalo Vatileaks, entregue em dezembro de 2012 pelos cardeais Salvatore De Giorgi, Jozef Tomko e Julián Herranz. O documento detalhava o vazamento de segredos da Santa Sé, má gestão financeira, disputas de poder e chantagens envolvendo clérigos em redes homossexuais. A abdicação visava, assim, abrir espaço para um sucessor mais jovem e vigoroso. Bento XVI deixou o cargo em 28 de fevereiro de 2013, sendo substituído pelo cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio, o Papa Francisco, que assumiu em 13 de março.
Nos últimos anos, o legado de Bento XVI foi marcado por questionamentos sobre sua gestão na Arquidiocese de Munique e Freising. Um relatório do escritório jurídico Westpfahl Spilker Wastl (WSW), publicado no início de 2022, apontou que o então arcebispo, cargo que ocupou entre 1977 e 1982, não teria agido em quatro casos de abuso sexual. Em resposta, Bento XVI admitiu em fevereiro de 2022 que houve erros no tratamento de tais casos e expressou pesar pelos abusos ocorridos durante seus mandatos na Igreja Católica.