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Papa Leão excomunga lideranças da Fraternidade São Pio X por desrespeito à autoridade papal

09 de Julho de 2026 às 06:09

O papa Leão excomungou as lideranças da Fraternidade Sacerdotal São Pio X por desrespeito à autoridade papal e recusa às decisões do Concílio Vaticano II. A punição ocorreu após a missa solene de São Pedro e São Paulo no Vaticano

Papa Leão excomunga lideranças da Fraternidade São Pio X por desrespeito à autoridade papal
BBC

O papa Leão excomungou as lideranças da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, grupo ultraconservador que defende a celebração de missas no antigo rito tridentino. A punição, ocorrida dias após a missa solene de São Pedro e São Paulo no Vaticano, não teve como motivo o uso do latim, mas sim o desrespeito à autoridade papal e a recusa em aceitar as decisões do Concílio Vaticano II.

Realizado entre 1962 e 1965, o Concílio Vaticano II buscou modernizar a Igreja Católica, promovendo a inclusão e a acessibilidade. Embora não tenha proibido o latim — que permanece como língua oficial da Santa Sé e pode ser usado em ocasiões solenes —, o concílio sugeriu que as celebrações ocorressem no idioma local da comunidade e que o padre se posicionasse de frente para os fiéis, visando facilitar a compreensão da homilia e das leituras bíblicas.

A divergência central reside no rito e na ideologia. A Fraternidade São Pio X utiliza o Missal Romano de 1962 e o rito tridentino, originado no Concílio de Trento (1545-1563), que visava unificar as celebrações na época. Nesse formato, o sacerdote celebra *ad orientem* (voltado para o altar, de costas para a assembleia), prática que caiu em desuso para se adaptar à contemporaneidade.

Para a cúpula da Igreja, o uso do latim pode ser um símbolo de universalidade, estabilidade doutrinária e conexão histórica. No entanto, a insistência em ritos obsoletos como ferramenta de contestação ao magistério dos papas é vista como um problema eclesiológico e político.

A repressão a esses movimentos tradicionalistas foi intensificada pelo papa Francisco por meio do documento *Traditionis Custodes*, publicado em 2021. O texto restringiu a celebração da missa tridentina a situações específicas, exigindo autorização do bispo local e proibindo a criação de novos grupos tradicionalistas ou a realização dessas missas em igrejas paroquiais, permitindo-as apenas em capelas. A medida visou coibir cismas e garantir a unidade da Igreja, revertendo a abertura concedida anteriormente pelo papa Bento XVI, que em 2007 havia permitido que qualquer sacerdote celebrasse o rito antigo sem necessidade de autorização prévia.

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