Passageiros de cruzeiro desembarcam nas Ilhas Canárias após surto de hantavírus na embarcação
Cerca de 150 pessoas desembarcam neste domingo (10) do cruzeiro MV Hondius em Tenerife após um surto de hantavírus que causou três mortes. Passageiros e tripulantes seguem protocolos sanitários para retornar aos seus países de origem até segunda-feira (11)
Cerca de 150 pessoas começaram a desembarcar neste domingo (10) do cruzeiro MV Hondius no porto de Granadilla, em Tenerife, nas Ilhas Canárias, após a embarcação registrar um surto de hantavírus. A operação de retorno dos passageiros e tripulantes aos seus países de origem deve ser finalizada na segunda-feira (11).
O navio, que partiu de Ushuaia, na Argentina, em 1º de abril, teve seis casos confirmados da doença entre oito suspeitos, resultando na morte de uma passageira alemã e de um casal holandês. O hantavírus é classificado como uma enfermidade rara, sem vacina ou tratamento específico disponível.
A evacuação ocorre sob rigorosos protocolos sanitários. Os passageiros deixam a embarcação em grupos, utilizando trajes de proteção azuis, e são transportados por lanchas até o porto. De lá, seguem em ônibus da Unidade Militar de Emergência (UME) para o aeroporto de Tenerife Sul, com barreiras físicas separando os passageiros do motorista.
Os 14 espanhóis foram os primeiros a desembarcar, por volta das 8h30 GMT. Após passarem por desinfecção e trocarem as roupas de proteção no aeroporto, seguiram para Madri, onde permanecerão em quarentena em um hospital militar. O mesmo protocolo será aplicado aos demais envolvidos.
A ministra da Saúde da Espanha, Mónica García, informou que voos para França, Reino Unido, Irlanda, Estados Unidos, Turquia, Canadá e Países Baixos estão previstos para este domingo. O último grupo, com destino à Austrália, deve partir na segunda-feira. A previsão é que o navio retorne à sua base, nos Países Baixos, na segunda-feira, às 19h (15h em Brasília), transportando apenas parte da tripulação.
A operação é acompanhada por membros do governo espanhol e pelo diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus. Antes do desembarque, equipes médicas avaliaram os passageiros a bordo, que não apresentam sintomas. O governo espanhol assegura que a ação cumpre todas as garantias de saúde pública, embora autoridades regionais das Canárias tenham resistido à operação, determinando que o navio permaneça ancorado sem atracar diretamente no cais.
O chefe da OMS afirmou que o risco atual para a saúde pública derivado do hantavírus permanece baixo, ressaltando que a situação não se compara à pandemia de covid-19. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, defendeu a eficácia da resposta do país diante da crise. O Papa Leão XIV também manifestou agradecimento às Canárias por permitirem a atracação do cruzeiro.