Passageiros de navio são evacuados nas Ilhas Canárias após registro de casos de hantavírus Andes
Cerca de 150 pessoas foram evacuadas do navio MV Hondius ao sul de Tenerife para repatriação. A OMS registrou seis casos confirmados e três mortes por hantavírus Andes, cepa com transmissão interpessoal. Um passageiro francês foi hospitalizado em Paris e contatos deverão cumprir isolamento de 72 horas
Cerca de 150 passageiros e tripulantes do navio MV Hondius, que iniciou sua viagem em 1º de abril partindo de Ushuaia, na Argentina, começaram a ser evacuados no domingo ao sul de Tenerife, nas Ilhas Canárias. A operação de repatriação envolveu voos para Estados Unidos, Reino Unido, Irlanda, Turquia, Canadá e Países Baixos, com a última etapa prevista para segunda-feira com destino à Austrália.
A logística de transporte será interrompida na noite de domingo e retomada na tarde de segunda-feira. De acordo com Pedro Suárez, responsável pelo porto de Granadilla, a suspensão das atividades na manhã de segunda-feira é necessária para que a embarcação seja abastecida com combustível antes de iniciar a travessia de vários dias rumo aos Países Baixos.
Entre os repatriados, um dos cinco cidadãos franceses apresentou sintomas de hantavírus durante o voo, conforme informado pelo primeiro-ministro Sébastien Lecornu. Após o pouso no aeroporto de Le Bourget, o grupo foi transportado por vans do Samu para o hospital Bichat, em Paris. Para conter a propagação, o governo francês editará um decreto prevendo o isolamento de 72 horas para os contatos, período destinado à avaliação médica.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica todos os ocupantes do MV Hondius como contatos de alto risco, exigindo monitoramento por 42 dias. A entidade registrou seis casos confirmados e oito suspeitos, com três mortes decorrentes do vírus. Embora a crise tenha gerado alerta global, a OMS afirma que o cenário não se assemelha ao início da pandemia de Covid-19 em 2020.
O hantavírus é tipicamente transmitido por urina, fezes e saliva de roedores infectados. Contudo, a variante identificada no navio é o hantavírus Andes, uma cepa rara capaz de transmissão interpessoal e com período de incubação de até seis semanas. Para a doença, não existem vacina ou tratamento disponível.
Os ministérios da Saúde e das Relações Exteriores estabeleceram que qualquer pessoa acompanhada que manifeste sintomas será reclassificada como caso suspeito, sendo encaminhada para avaliação especializada e atendimento em unidade de saúde de referência. Apesar das medidas, passageiros como Roland Seitre minimizaram a situação, alegando a ausência de doentes ou novos casos a bordo desde o final de abril.