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Passageiros de navio são evacuados nas Ilhas Canárias após registro de casos de hantavírus Andes

10 de Maio de 2026 às 15:10

Cerca de 150 pessoas foram evacuadas do navio MV Hondius ao sul de Tenerife para repatriação. A OMS registrou seis casos confirmados e três mortes por hantavírus Andes, cepa com transmissão interpessoal. Um passageiro francês foi hospitalizado em Paris e contatos deverão cumprir isolamento de 72 horas

Cerca de 150 passageiros e tripulantes do navio MV Hondius, que iniciou sua viagem em 1º de abril partindo de Ushuaia, na Argentina, começaram a ser evacuados no domingo ao sul de Tenerife, nas Ilhas Canárias. A operação de repatriação envolveu voos para Estados Unidos, Reino Unido, Irlanda, Turquia, Canadá e Países Baixos, com a última etapa prevista para segunda-feira com destino à Austrália.

A logística de transporte será interrompida na noite de domingo e retomada na tarde de segunda-feira. De acordo com Pedro Suárez, responsável pelo porto de Granadilla, a suspensão das atividades na manhã de segunda-feira é necessária para que a embarcação seja abastecida com combustível antes de iniciar a travessia de vários dias rumo aos Países Baixos.

Entre os repatriados, um dos cinco cidadãos franceses apresentou sintomas de hantavírus durante o voo, conforme informado pelo primeiro-ministro Sébastien Lecornu. Após o pouso no aeroporto de Le Bourget, o grupo foi transportado por vans do Samu para o hospital Bichat, em Paris. Para conter a propagação, o governo francês editará um decreto prevendo o isolamento de 72 horas para os contatos, período destinado à avaliação médica.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica todos os ocupantes do MV Hondius como contatos de alto risco, exigindo monitoramento por 42 dias. A entidade registrou seis casos confirmados e oito suspeitos, com três mortes decorrentes do vírus. Embora a crise tenha gerado alerta global, a OMS afirma que o cenário não se assemelha ao início da pandemia de Covid-19 em 2020.

O hantavírus é tipicamente transmitido por urina, fezes e saliva de roedores infectados. Contudo, a variante identificada no navio é o hantavírus Andes, uma cepa rara capaz de transmissão interpessoal e com período de incubação de até seis semanas. Para a doença, não existem vacina ou tratamento disponível.

Os ministérios da Saúde e das Relações Exteriores estabeleceram que qualquer pessoa acompanhada que manifeste sintomas será reclassificada como caso suspeito, sendo encaminhada para avaliação especializada e atendimento em unidade de saúde de referência. Apesar das medidas, passageiros como Roland Seitre minimizaram a situação, alegando a ausência de doentes ou novos casos a bordo desde o final de abril.

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