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Passageiros e tripulantes de navio com surto de hantavírus são evacuados em Tenerife

10 de Maio de 2026 às 16:18

Passageiros e tripulantes do navio MV Hondius começaram a ser evacuados neste domingo (10), em Tenerife, após um surto de hantavírus com três mortes. A operação, coordenada pela Oceanwide Expeditions e a OMS, prevê a repatriação aérea dos 149 ocupantes até segunda-feira (11)

A operação de evacuação de passageiros e tripulantes do navio MV Hondius começou na manhã deste domingo (10), no porto de Granadilla, na ilha espanhola de Tenerife. A medida ocorre quase um mês após um surto de hantavírus a bordo da embarcação, que resultou na morte de três pessoas.

O processo de desembarque, coordenado pela empresa holandesa Oceanwide Expeditions, prioriza a repatriação aérea imediata de cada indivíduo para quarentena em seus países de origem, seguindo diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS). Os primeiros a deixar o navio, por volta das 5h30 (horário de Brasília), foram 14 espanhóis — 13 passageiros e um tripulante. O grupo foi transportado para o Aeroporto de Tenerife Sul e, via avião militar, encaminhado à Base Aérea de Torrejón de Madri, com posterior internação no Hospital Gómez Ulla.

Na sequência, cinco franceses foram retirados sob os mesmos protocolos. Durante o voo para Paris, o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, informou que um dos integrantes do grupo, anteriormente assintomático, começou a manifestar sintomas da doença.

Ao todo, o navio transporta 102 passageiros e 47 tripulantes de diversas nacionalidades. A logística de retirada utiliza lanchas e deve se estender até a tarde de segunda-feira (11). Após a saída dos passageiros e de parte da tripulação, cerca de 30 profissionais permanecerão a bordo para o reabastecimento da embarcação, que seguirá em uma viagem de cinco dias rumo ao porto de Rotterdam, na Holanda.

O surto teve início após a partida do MV Hondius de Ushuaia, na Argentina, em 1º de abril. A primeira vítima, um passageiro holandês, morreu dez dias depois. O corpo foi desembarcado em 24 de abril na ilha de Santa Helena, território britânico; três dias após esse evento, a esposa da vítima, também holandesa, faleceu. A terceira morte foi a de um passageiro alemão, ocorrida em 2 de maio.

A OMS confirmou seis casos de hantavírus entre os viajantes, sendo três óbitos, enquanto outros dois casos suspeitos seguem sob análise. A doença, geralmente transmitida por roedores, pode ser passada entre humanos em situações raras de contato próximo com saliva ou secreções respiratórias. O quadro clínico inicial envolve febre e dores corporais, podendo evoluir para cansaço excessivo e dificuldade respiratória.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, classificou a cepa identificada como andina e, embora grave, afirmou que o risco de contaminação para a população local de Tenerife é baixo. Adhanom assegurou que a operação conta com a presença de um especialista da organização a bordo, suprimentos médicos adequados e um plano rigoroso executado pelas autoridades espanholas, destacando que não havia passageiros sintomáticos no navio até a manhã deste domingo.

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