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Pegadas de dinossauros gigantes são encontradas no teto de uma caverna no sul da França

07 de Abril de 2026 às 18:11

Pegadas de saurópodes titanossauriformes de 166 a 168 milhões de anos foram encontradas no teto da caverna de Castelbouc, no sul da França. Os registros, que incluem marcas de até 1,25 metros, levaram à criação do novo icnotáxon Occitanopodus. A descoberta foi documentada no Journal of Vertebrate Paleontology

A identificação de pegadas de dinossauros no teto de uma caverna no sul da França revelou vestígios raros de saurópodes titanossauriformes, herbívoros gigantes que podiam ultrapassar 30 metros de comprimento e pesar até 50 toneladas. Localizados na caverna de Castelbouc, na região de Causse Méjean, os registros datam de 166 a 168 milhões de anos e indicam que esses animais transitavam por áreas costeiras.

A descoberta, documentada no Journal of Vertebrate Paleontology, ocorreu após a travessia de um percurso de mais de 100 metros, composto por passagens estreitas, sinuosas e alagadas, situadas a cerca de 500 metros de profundidade. O diferencial do sítio arqueológico reside na posição dos fósseis: as marcas não estão no solo ou nas paredes, mas no teto da cavidade, exigindo que a observação seja feita de baixo para cima.

Tecnicamente, os registros são contraimpressões tridimensionais. Esse fenômeno aconteceu quando sedimentos preencheram as pegadas originais e, posteriormente, a erosão expôs as formas no interior da caverna. Entre as três trilhas distintas encontradas, algumas pegadas atingem 1,25 metros de comprimento, preservando com nitidez garras, almofadas plantares e impressões de dedos. Um dos exemplares apresenta cinco dedos definidos no pé direito, detalhe atípico para esse tipo de fóssil.

A análise detalhada da estrutura e do movimento dos pés permitiu a identificação de um novo icnotáxon, batizado de Occitanopodus, cujo nome deriva da morfologia dos rastros e da região onde foram achados. Uma das trilhas exibiu a combinação de características inéditas para saurópodes dos períodos Jurássico e Cretáceo.

Identificadas originalmente em 2015, as marcas evidenciam que galerias profundas em cavernas cársticas, apesar do acesso perigoso e difícil, são capazes de preservar icnofósseis de alto valor científico. Para a equipe de pesquisa, o achado expõe lacunas nas classificações atuais sobre a evolução dos saurópodes e valida a prospecção em ambientes subterrâneos profundos.

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