Pentágono investe 325 milhões de dólares em drones reciclados para monitorar armamentos hipersônicos
O Pentágono investiu 325 milhões de dólares na criação do RangeHawk, sistema da Northrop Grumman que reaproveita drones Global Hawk RQ-4 para monitorar armamentos hipersônicos. A plataforma utiliza o pacote de instrumentos PANTHER para registrar dados de mísseis acima de Mach 5, substituindo navios instrumentados. O contrato para a operação do sistema estende-se até 2031

O Pentágono investiu 325 milhões de dólares na criação do RangeHawk, um sistema de monitoramento aéreo desenvolvido pela Northrop Grumman para acelerar os testes de armamentos hipersônicos dos Estados Unidos. O projeto consiste na reciclagem de drones Global Hawk RQ-4, que haviam sido retirados de serviço pela Força Aérea devido ao alto custo de manutenção em missões de espionagem, agora substituídas por satélites.
A escolha por reaproveitar essas aeronaves visa reduzir custos de fabricação, utilizando cascos que possuem 130 pés de envergadura, teto de voo de 60 mil pés e autonomia de 34 horas. O RangeHawk será equipado com o pacote de instrumentos PANTHER, que integra sensores infravermelhos, eletro-ópticos, antenas phased-array, gravadores de telemetria e sistemas de comunicação encriptada. O objetivo é registrar a trajetória, a temperatura de superfície, a velocidade e o desempenho de mísseis que superam Mach 5.
Essa nova plataforma resolve um gargalo logístico crítico. Atualmente, os testes hipersônicos dependem de navios instrumentados que levam semanas ou meses para serem reposicionados nos oceanos. Com o drone, o Test Resource Management Center, escritório do Pentágono responsável pela infraestrutura de testes, consegue reduzir esse intervalo para poucos dias, permitindo o acompanhamento de disparos em qualquer ponto do Atlântico ou Pacífico sem a necessidade de atracação.
A urgência na coleta de dados de telemetria precisos é fundamental para que engenheiros corrijam falhas e iterem os testes. O atraso americano nessa tecnologia é evidente diante de adversários: a China opera o míssil DF-17 e testou veículos planadores na década passada, enquanto a Rússia mantém em serviço os modelos Kinjal e Avangard desde o fim dos anos 2010. Nos Estados Unidos, o programa Dark Eagle do Exército, por exemplo, sofreu sucessivos adiamentos desde 2023 devido a problemas no lançador.
O contrato com a Northrop Grumman estende-se até 2031, alinhando-se ao ciclo de desenvolvimento de novos programas, que vão desde os derivados do X-51 air-breathing até scramjets de longo alcance. O escopo de monitoramento abrange ainda o Long-Range Hypersonic Weapon do Exército, o Conventional Prompt Strike da Marinha e veículos boost-glide em fase de criação.
A movimentação reflete um esforço amplo dos Estados Unidos em plataformas não tripuladas. Recentemente, em 12 de maio, a Northrop Grumman testou o drone híbrido-elétrico XRQ-73, do programa SHEPARD da DARPA, em Edwards. Já em 21 de maio, a Boeing entregou à Marinha as primeiras unidades do MQ-25A Stingray, um drone-tanque autônomo embarcado.