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Pentágono reage a relatos sobre o uso de golfinhos com minas explosivas pelo Irã

12 de Maio de 2026 às 09:12

O governo dos Estados Unidos questionou a possibilidade de o Irã utilizar golfinhos com minas explosivas para romper o bloqueio naval no estreito de Ormuz. A discussão ocorreu em coletiva no Pentágono no dia 5 de maio, após reportagem do The Wall Street Journal

Pentágono reage a relatos sobre o uso de golfinhos com minas explosivas pelo Irã
Getty Images via BBC

O governo dos Estados Unidos foi questionado, em coletiva no Pentágono no dia 5 de maio, sobre a possibilidade de o Irã utilizar "golfinhos kamikazes" em seus conflitos. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, e o general Dan Kaine, chefe do Estado-Maior Conjunto, reagiram aos relatos, com Kaine comparando a situação a histórias fictícias de tubarões equipados com lasers.

A discussão surgiu após reportagem do The Wall Street Journal indicar que Teerã busca alternativas para romper o bloqueio naval americano no estreito de Ormuz. De acordo com a publicação, autoridades iranianas sugeriram o emprego de armamentos não convencionais, que variam de submarinos a golfinhos equipados com minas explosivas para atacar embarcações dos Estados Unidos.

O uso de mamíferos marinhos para fins militares não é inédito. Há 26 anos, a BBC informou que o Irã adquiriu animais treinados por ex-membros da marinha soviética. A transação teria sido conduzida por Boris Zhurid, ex-oficial de submarinos e médico, que vendeu os animais devido à incapacidade financeira de manter a alimentação e os medicamentos necessários. Na ocasião, 27 animais — incluindo golfinhos, botos, leões-marinhos, focas e uma baleia beluga — foram transportados de Sebastopol para o Golfo Pérsico em um avião.

O treinamento desenvolvido por Zhurid em bases do Pacífico e da Crimeia preparava os golfinhos para atacar mergulhadores com arpões ou arrastá-los à superfície. Além disso, os animais eram adestrados para realizar ataques suicidas, carregando minas que detonariam ao impactar o casco de navios, sendo capazes de distinguir submarinos soviéticos de estrangeiros pelo som das hélices.

Embora os Estados Unidos tenham se oposto a vendas militares russas para o Irã no passado, o país norte-americano mantém seu próprio programa de mamíferos marinhos em San Diego, na Califórnia. A Rússia também mantém a prática, intensificando o uso de golfinhos militares no porto de Sebastopol desde a invasão da Ucrânia para proteger sua frota no mar Negro. Há ainda indícios, via imagens de satélite, de que a Coreia do Norte possua aquários que sugiram a existência de um programa similar.

No Irã, a questão foi abordada nas memórias de Akbar Hashemi Rafsanjani, que governou o país entre 1989 e 1997. O ex-presidente descreveu ter visitado, em 1990, as instalações na ilha de Kish onde os animais vindos da ex-União Soviética eram mantidos e treinados por ucranianos. No entanto, Rafsanjani negou a finalidade militar dos mamíferos, descrevendo-os como inofensivos e detalhando a dieta e a manutenção térmica das piscinas necessária para espécies vindas do Ártico.

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