Peru aguarda definição de novo presidente após segundo turno com apuração lenta de votos
O Peru aguarda a definição do presidente após o segundo turno entre Keiko Fujimori e Roberto Sánchez. A apuração é retardada pelo uso de cédulas de papel, logística geográfica e contabilização de votos no exterior. O resultado final depende ainda de possíveis contestações de atas e recontagens pelo Jurado Nacional de Electores
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O Peru aguarda a definição do novo presidente após a votação do segundo turno realizada no último domingo (7), que colocou frente a frente a candidata de direita Keiko Fujimori e o deputado de esquerda Roberto Sánchez. A demora na divulgação do resultado é característica do sistema eleitoral peruano, como evidenciado no pleito de 12 de abril, quando o Jurado Nacional de Electores (JNE) levou mais de um mês para oficializar o resultado do primeiro turno, apenas em 17 de maio.
A lentidão é impulsionada, primordialmente, pela margem estreita entre os candidatos. Keiko Fujimori, por exemplo, ficou em segundo lugar nas duas últimas eleições com 49,88% e 49,87% dos votos válidos. No primeiro turno de 2026, Roberto Sánchez venceu o terceiro colocado, Rafael López-Aliaga, por uma diferença de 21.210 votos.
Diferente do modelo brasileiro, o Peru utiliza majoritariamente cédulas de papel e urnas físicas, processadas pelo Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE). O voto digital é restrito a pessoas com deficiência e militares em postos remotos, mediante requisitos específicos. A geografia do país também impacta a logística; na tarde de terça-feira (9), enquanto a média nacional de apuração era de 96%, as regiões de Cusco, nos Andes, e Loreto, na Amazônia, registravam índices menores, de 91% e 93%, respectivamente.
O voto dos expatriados é o que apresenta o maior atraso, com apenas 31% das urnas contabilizadas até a tarde de terça-feira. Embora a legislação permita o voto digital para residentes no exterior, a ausência dessa modalidade nos consulados obrigou os eleitores a se deslocarem para postos físicos, exigindo o transporte das urnas para o território peruano.
A declaração do vencedor pelo JNE ainda deve enfrentar a etapa de contestações. Os partidos podem questionar atas e denunciar fraudes, o que pode levar a recontagens. No primeiro turno, o partido de López-Aliaga contestou mais de 68 mil atas, resultando na revisão de mais de 1 milhão de votos. Diante de uma disputa que pode ser decidida por centenas ou poucos milhares de votos, o órgão eleitoral aguarda a chegada de novos pedidos de revisão.