Peru define novo presidente em disputa entre Roberto Sánchez e Keiko Fujimori neste domingo
Peru realiza eleição presidencial neste domingo (7) entre Roberto Sánchez, da esquerda, e Keiko Fujimori, da direita. O pleito ocorre em um cenário de crise institucional e baixa confiança da população no sistema democrático
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O Peru decide, neste domingo (7), quem ocupará a Presidência da República em um pleito que coloca frente a frente o candidato da esquerda, Roberto Sánchez, e a representante da direita, Keiko Fujimori. A disputa ocorre sob um cenário de profunda crise institucional e desconfiança da população em relação ao sistema democrático.
O segundo turno sucede um primeiro estágio eleitoral marcado por instabilidade, com a candidatura de 35 concorrentes evidenciando a fragmentação política do país. A definição dos finalistas foi demorada, exigindo que o Observatório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) realizasse a apuração de 99,94% das atas para confirmar a vaga de Sánchez, que superou Roberto López Aliaga por uma margem mínima. Esse atraso de quase um mês na divulgação dos resultados reduziu drasticamente o período de campanha para a etapa final.
A configuração atual remete ao pleito de 2021, quando Keiko Fujimori foi derrotada por Pedro Castillo, ex-chefe de Sánchez. Naquela ocasião, Castillo tentou um golpe de Estado meses após a posse, resultando em sua prisão e condenação.
A fragilidade do sistema político peruano é refletida na rotatividade extrema do Poder Executivo: o país teve nove presidentes em dez anos, apesar de os mandatos serem previstos para cinco anos. Essa instabilidade é impulsionada pelo artigo 113 da Constituição, que permite ao Congresso derrubar um presidente por "incapacidade moral ou física permanente". Na prática, esse dispositivo possibilita a remoção de um governante eleito em menos de 24 horas caso haja divergências legislativas.
Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, lidera desde 2008 o partido Fuerza Popular e mantém uma coalizão com maioria absoluta no Congresso, articulando influência no Legislativo e no Judiciário.
Dados do Latinobarómetro revelam que 90% dos peruanos não confiam no governo e no Parlamento, enquanto apenas 10% demonstram satisfação com a democracia. Esse descrédito é alimentado pela natureza dos partidos políticos locais, descritos como legendas sem raízes sociais profundas, que surgem e desaparecem rapidamente, facilitando a troca de coalizões por parte dos candidatos.
A governabilidade do próximo mandatário dependerá da correlação de forças no Parlamento. Caso Sánchez vença, poderá enfrentar a mesma pressão que derrubou seus antecessores. Se Keiko Fujimori for eleita, poderá ter maior facilidade de gestão devido à maioria de seu partido no Congresso, embora ainda precise enfrentar a crise política generalizada.