Peru define novo presidente neste domingo em disputa entre Keiko Fujimori e Roberto Sánchez
Keiko Fujimori e Roberto Sánchez disputam a presidência do Peru neste domingo (7). Fujimori foca no combate à violência e na estabilidade, enquanto Sánchez defende uma nova Constituição e maior controle estatal sobre recursos naturais
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/S/Z/vAoKmqRTiqtKgvlvo7sw/2026-06-01t015028z-283734192-rc2oklay0ztb-rtrmadp-3-peru-election-debate.jpg)
O Peru define seu próximo presidente neste domingo (7), em um segundo turno que coloca frente a frente a conservadora Keiko Fujimori e o esquerdista Roberto Sánchez. As pesquisas indicam um cenário de incerteza, com a expectativa de que a vitória seja decidida por uma margem estreita, repetindo a tensão do primeiro turno, quando a apuração voto a voto levou um mês para ser concluída.
Keiko Fujimori, que liderou a primeira etapa com 17,17% dos votos, busca a presidência pela quarta vez. Filha de Alberto Fujimori — ex-presidente que governou nos anos 1990, morreu em 2024 e cumpriu 16 anos de prisão por violações de direitos humanos —, a candidata de 51 anos mudou sua estratégia política. Após tentativas anteriores de se distanciar da imagem do pai, Keiko agora adota políticas públicas daquela gestão, focando na restauração da ordem e da estabilidade.
A candidata, formada em administração nos Estados Unidos e parlamentar desde 2006, baseia sua campanha no combate à violência, ao aumento de homicídios e às extorsões. Ela propõe leis antiterroristas rigorosas, a ampliação do papel dos militares no enfrentamento ao crime e a implementação de programas sociais com auxílio financeiro para famílias pobres. No campo jurídico, Keiko teve um caso de suposto financiamento irregular de campanha arquivado no ano passado, após ter passado quase um ano e meio em prisão preventiva entre 2018 e 2020. A nova postura política ajudou a reduzir sua rejeição, que caiu de 59% no primeiro turno para 40%, segundo o Ipsos Peru.
Do outro lado, Roberto Sánchez avançou para a disputa final com 12,03% dos votos, superando o terceiro colocado por 21 mil votos. O candidato de 57 anos, que iniciou a trajetória política via trabalho social religioso, cresceu nas pesquisas durante a campanha. Ex-ministro de Pedro Castillo — ex-presidente deposto e preso em 2022 por tentativa de golpe —, Sánchez utiliza o chapéu de palha típico dos camponeses de Cajamarca como símbolo.
A plataforma de Sánchez defende a elaboração de uma nova Constituição para substituir a atual, redigida na era Fujimori. Suas propostas incluem maior controle estatal sobre recursos naturais, a criação de impostos sobre grandes fortunas e uma reforma judiciária com penas severas contra a corrupção e a proibição vitalícia de cargos públicos para condenados. No combate ao crime, ele sugere que as Forças Armadas auxiliem a polícia.
Em questões sociais, o candidato se posiciona contra a discriminação por raça, religião ou orientação sexual e, fundamentado na fé católica, aceita o aborto apenas em casos de risco à gestante ou estupro. Sánchez também mantém vínculo com Pedro Castillo, a quem visita na prisão e promete indultar se eleito, embora negue a intenção de devolvê-lo ao poder. O candidato também enfrenta questionamentos judiciais, com acusações de falsidade em processos administrativos e informações irregulares sobre contribuições de campanha, o que levou o Ministério Público a solicitar sua prisão.