Peru elege neste domingo o nono presidente em um intervalo de dez anos
O Peru elege neste domingo (7/6) o novo presidente em disputa entre Keiko Fujimori, da direita, e Roberto Sánchez, de esquerda. Fujimori obteve 17,92% dos votos no primeiro turno, enquanto Sánchez alcançou 12,03%
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/S/Z/vAoKmqRTiqtKgvlvo7sw/2026-06-01t015028z-283734192-rc2oklay0ztb-rtrmadp-3-peru-election-debate.jpg)
O Peru elege neste domingo (7/6) o seu nono presidente em um intervalo de dez anos, em um cenário de profunda incerteza política. O pleito ocorre após um primeiro turno conturbado e um processo de apuração de votos que se estendeu por um mês. A disputa final coloca frente a frente a candidata da direita, Keiko Fujimori, que obteve 17,92% dos votos na primeira etapa, e o candidato de esquerda, Roberto Sánchez, que alcançou 12,03%.
A eleição reedita a dinâmica política recente do país, centrada no embate entre o fujimorismo e as forças antifujimoristas. Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, concorre à Presidência pela quarta vez. Em suas tentativas anteriores, em 2016 e 2021, a candidata não reconheceu as derrotas sofridas para Pedro Pablo Kuczynski e Pedro Castillo, respectivamente. Para o cientista político Alonso Cárdenas, essa postura fragilizou a democracia peruana e impulsionou a instabilidade institucional da última década, contribuindo para o descrédito do Congresso e o avanço do crime organizado, com o aumento de extorsões e homicídios por encomenda.
Fujimori, que teve um processo de lavagem de ativos arquivado pelo Tribunal Constitucional após ter passado pela prisão em um caso envolvendo a construtora Odebrecht, baseia sua campanha na promessa de "volta à ordem". A candidata reivindica o legado do pai, falecido em 2024 e condenado por crimes contra a humanidade, associando sua imagem à estabilidade econômica e ao combate ao Sendero Luminoso nos anos 1990. Suas propostas incluem a saída do Peru da Corte Interamericana de Direitos Humanos e a criação de megaprisões de segurança máxima.
Do outro lado, Roberto Sánchez concorre pela primeira vez. Psicólogo de formação, Sánchez foi ministro do Comércio Exterior e Turismo no governo de Pedro Castillo, de quem se considera herdeiro político. Castillo foi condenado a 11 anos e meio de prisão por rebelião e conspiração após tentar dissolver o Congresso em 2022. Sánchez conseguiu transformar sua ligação com o ex-presidente em capital político, especialmente nas regiões rurais e no sul do país, onde o ressentimento contra a elite de Lima é forte. Embora tenha renunciado ao cargo e se abstido na votação que destituiu Castillo, o candidato mantém o apoio de setores que viam no ex-mandatário a representação do Peru andino.
O resultado da eleição deve ser apertado, com a decisão dependendo de fatores geográficos e do eleitorado indeciso, que soma cerca de 25% dos votantes, segundo o instituto IEP. A mobilização em Lima é crucial para a vitória de Fujimori, enquanto Sánchez depende da alta participação nas zonas rurais e no sul.
Além da escolha do nome, a governabilidade permanece como a principal incógnita. A fragmentação partidária e a ausência de maiorias sólidas tornaram o Congresso o centro da estabilidade política, com a capacidade de condicionar ou derrubar o Executivo. Esse cenário reforça a percepção de que a viabilidade do próximo governo dependerá menos da vontade popular nas urnas e mais da habilidade do eleito em costurar alianças em um Legislativo volátil.