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Peru realiza eleições para definir novo presidente em meio a instabilidade política

07 de Junho de 2026 às 06:07

O Peru realiza eleições neste domingo (7) para a presidência, disputada por Keiko Fujimori e Roberto Sánchez. O eleito assumirá o cargo em 28 de julho, sendo o nono governante do país em dez anos

Peru realiza eleições para definir novo presidente em meio a instabilidade política
Reuters/Alessandro Cinque

O Peru realiza neste domingo (7) eleições para definir quem será o próximo chefe de Estado, em uma disputa entre Keiko Fujimori e Roberto Sánchez. O vencedor assumirá a presidência em 28 de julho, tornando-se o nono governante do país em um intervalo de dez anos.

A sucessão ocorre em um cenário de profunda instabilidade política. O cargo é ocupado atualmente por José María Balcázar Zelada, presidente interino nomeado pelo Congresso para cumprir um mandato-tampão. Balcázar, que era deputado, assumiu a função em fevereiro após a destituição de José Jerí. O governo anterior caiu devido a um escândalo envolvendo reuniões não divulgadas com um empresário chinês, interrompendo um mandato que deveria ter se estendido até abril de 2026.

Desde a saída de Ollanta Humala, em julho de 2016, nenhum presidente peruano completou seu período integral no poder. A sequência de trocas inclui Pedro Pablo Kuczynski, que renunciou em março de 2018 após vídeos revelarem tentativas de compra de votos para evitar um impeachment. Seu sucessor, Martín Vizcarra, foi efetivamente destituído em novembro de 2020. Na sequência, Manuel Merino renunciou após apenas cinco dias sob questionamentos de legitimidade, sendo sucedido por Francisco Sagasti, que governou até julho de 2021.

O ciclo de crises prosseguiu com Pedro Castillo, eleito em 2021. Castillo foi destituído e preso em dezembro de 2022 após tentar dar um golpe de Estado, sendo condenado posteriormente a 11 anos de prisão. A vice-presidente Dina Boluarte assumiu o comando e tornou-se a recordista de permanência no cargo desde 2016, governando por quase três anos. No entanto, Boluarte sofreu impeachment em outubro de 2025 por incapacidade moral, enquanto enfrentava denúncias de enriquecimento ilícito e baixa aprovação popular, entre 2% e 4%.

Essa volatilidade governamental é impulsionada, em parte, pelo sistema unicameral do Legislativo. Diferente do Brasil, o Peru não possui Senado, contando apenas com uma Câmara de 130 parlamentares. Essa estrutura agiliza processos de impeachment e destituições, exigindo 87 votos para a remoção de um presidente.

A ausência de uma segunda câmara é fruto de um "autogolpe" liderado por Alberto Fujimori em 1992, que resultou no fechamento do Congresso e na promulgação de uma nova Constituição em 1993. A justificativa da época era a ineficiência e a lentidão das instituições. Tentativas posteriores de restaurar o bicameralismo, como a proposta por Martín Vizcarra, foram barradas ou desvirtuadas pelo próprio Parlamento. Em 2018, a única mudança significativa aprovada via referendo foi a proibição da reeleição para parlamentares.

Além da estrutura legislativa, a Constituição peruana permite que o presidente dissolva o Congresso caso este censure ou negue confiança a dois gabinetes, obrigando a convocação de novas eleições em quatro meses. Esse mecanismo foi utilizado por Alberto Fujimori, Martín Vizcarra e, na tentativa frustrada, por Pedro Castillo.

O modelo administrativo do país também se diferencia por possuir um "presidente do Conselho de Ministros". Embora funcione como um coordenador de ministros e aliado do presidente, a figura não altera a natureza fortemente presidencialista do sistema, atuando essencialmente como um chefe de gabinete.

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