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Peru realiza eleições que podem resultar na escolha do décimo presidente em uma década

12 de Abril de 2026 às 18:30

O Peru vota neste domingo (12) para definir o décimo presidente em dez anos, com a apuração prevista para a meia-noite. A disputa envolve 35 postulantes, com Keiko Fujimori detendo 15% das intenções de voto. O segundo turno ocorrerá em 7 de junho

O Peru realiza neste domingo (12) eleições gerais que podem definir o décimo presidente do país em apenas dez anos, reflexo de um ciclo de instabilidade política marcado por sucessivos impeachments e renúncias. A divulgação dos resultados está prevista para a meia-noite desta data.

A disputa presidencial apresenta um cenário de alta imprevisibilidade, com 35 candidatos ativos após a morte de um concorrente em acidente automobilístico durante a campanha. Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, que governou entre 1990 e 2000, lidera as pesquisas com 15% das intenções de voto. Embora seja a candidata com maior probabilidade de disputar o segundo turno, marcado para 7 de junho, Fujimori enfrenta um teto de votos devido à alta rejeição, tendo perdido as etapas finais das eleições de 2011, 2016 e 2021.

No campo da direita, além de Fujimori, ganham destaque o humorista Carlos Álvarez e Rafael López Aliaga, apelidado de "Porky". Ex-prefeito de Lima, Aliaga associa a defesa radical do livre mercado a um discurso ultraconservador, traçando paralelos com as figuras de Donald Trump e Javier Milei. Já a esquerda encontra-se fragmentada, com candidatos que orbitam a marca de 5% de preferência. Entre eles estão o deputado Roberto Sánchez, ex-ministro do Comércio Exterior e Turismo e aliado de Pedro Castillo, e Vladimir Cerrón, do partido Peru Livre, que rompeu com Castillo no início de seu mandato. Também concorrem o economista Alfonso López-Chau, que dirigiu o Banco Central entre 2006 e 2012, e Ricardo Belmont, prefeito de Lima entre 1990 e 1995.

A sucessão presidencial ocorre em um contexto de disputa geopolítica entre Estados Unidos e China na América Latina. Gustavo Menon, professor da USP e da Universidade Católica de Brasília, aponta que a eleição é decisiva para que correntes de direita tentem conter o avanço comercial chinês na América do Sul. Atualmente, a China intensifica a conexão do Peru com a Ásia e o Pacífico por meio do porto de Chancay. Em contrapartida, Fujimori sinaliza uma aproximação com Washington, alinhando-se à estratégia de Donald Trump de retomar a influência histórica dos EUA na região, inclusive por meio de acordos militares.

A fragilidade institucional do país é evidenciada pelos eventos recentes. Pedro Castillo, eleito em 2021, foi afastado e preso após tentar dissolver o Parlamento, sendo condenado em novembro de 2025 a mais de 11 anos de prisão por rebelião. Sua sucessora, Dina Boluarte, assumiu a vice-presidência e foi marcada pela repressão violenta a manifestações, que resultou em 49 mortes, conforme dados da Anistia Internacional. Boluarte foi destituída pelo Congresso em 10 de outubro de 2025. Na sequência, José Jerí assumiu a presidência via Parlamento, mas foi removido do cargo em 17 de fevereiro do mesmo ano, levando José María Balcázar Zelada a assumir a gestão interinamente por eleição indireta.

Diante do empate técnico entre a maioria dos candidatos, a governabilidade do próximo mandatário é vista como um risco devido à profunda fragmentação política do país.

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